Novo procedimento para câncer de próstata
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de junho de 2005
Solimar Garcia<br>Agência Estado 
Boa parte dos pacientes com câncer de próstata em estágio avançado pode obter maiores chances de cura com a indicação de radioterapia associada a um tipo de hormônio específico. Pesquisas científicas revelaram que foi possível a reversão do quadro em 60% dos homens cujo tumor já havia se expandido além da glândula. A novidade é resultado de um dos mais longos e detalhados estudos já realizados pela Radiation Therapy Oncology Group (RTOG). A entidade americana, que é independente e formada por médicos do mundo todo, acompanhou o tratamento de 977 pacientes com tumores localmente avançados.
A apresentação do trabalho ocorreu durante o American Urological Association (AUA), no final de maio, o mais importante congresso mundial de urologia. De acordo com os resultados divulgados, após dez anos do início do tratamento, 37% dos pacientes submetidos à combinação da radioterapia com o hormônio gosserrelina (Zoladex, AstraZeneca) mantiveram-se vivos e sem qualquer sinal da doença. Esta porcentagem cai para 23% entre os que usaram apenas o tratamento convencional com radioterapia.
Segundo a pesquisa, que começou há 17 anos, combinar os dois tratamentos pode levar a uma redução das metástases em até 40% dos casos. Os dados foram publicados na última edição do ''International Journal of Radiation Oncology, Biology and Physics'', uma das revistas científicas mais importantes da área. Para chegar a esses resultados, os pacientes foram divididos aleatoriamente. Um grupo recebeu 3,6mg de gosserrelina, como adjuvante, via subcutânea uma vez ao mês, a partir da última semana da radioterapia. Essa conduta foi mantida indefinidamente ou até se constatar a progressão da doença.
O segundo grupo foi submetido apenas a radioterapia e só recebeu hormônios quando a doença começou a avançar. A combinação também elevou a sobrevida geral dos pacientes para quase metade do número total. No grupo que recebeu radioterapia e hormônios, 49% mantiveram-se vivos após 10 anos. Daqueles que não utilizaram o medicamento, apenas 39% sobreviveram depois de uma década.


