Novo presidente quer ficar no cargo até 2003 no Paraguai
Assunção, 14 (AE-IPS) - O presidente do Paraguai, Luis González Macchi, disse hoje (14) que quer ficar no poder até 2003. Em cadeia de rádio e televisão, ele anunciou as metas econômicas de sua administração para os próximos quatro anos. A Suprema Corte de Justiça ainda não determinou a duração do atual mandatário.
O pacote de Macchi, anunciado terça-feira à noite, prevê investimento de US$ 1,7 bilhão para reativar os setores agrícola, industrial, obras públicas, moradia, escolas e pequenas empresas. Macchi informou que tem US$ 750 milhões mais para a reativação.
O atual presidente também anunciou sua intenção de reduzir em 45% a evasão fiscal, aumentar em 35% o investimento e duplicar os cultivos nos próximos quatro anos. González Macchi foi presidente do Congresso até a noite de 28 de março quando o então presidente Raúl Cubas, hoje asilado no Brasil, renunciou.
A destituição de Cubas por má administração estava prevista para o dia seguinte, em um julgamento político acelerado com o assassinato do vice-presidente, Luis María Argaña, no dia 23 de março.
Para o Partido Colorado, só o cargo ocupado por Argaña está vago e as eleições marcadas para o dia 21 de novembro devem preencher apenas a vice-presidência do país. A oposição acha que deve haver eleições para presidente e vice no intuito de legitimar o novo governo de unidade nacional, que, pela primeira vez desde 1940, tem no gabinete ministros de partidos adversários dos colorados.
O novo presidente disse também que seu país é e continuará sendo "dependente da agricultura". E acrescentou: "Daremos sementes para o plantio do algodão, injetaremos no setor US$ 100 milhões procedentes do Japão e Taiwan e perdoaremos parcialmente dívidas com títulos de terras a trabalhadores rurais".
Apesar da dívida com empresas contratadas, o presidente Macchi disse ainda que investirá US$ 400 milhões em novas rodovias e pontes. O Senado aprovou a emissão de bônus externos de US$ 400 milhões. O projeto tinha ficado parado no Congresso durante o governo Cubas.
O Chinatrust Commercial Bank de Taiwan deve colocar os bônus no mercado. Estes fundos se destinam a engordar as reservas internacionais - atualmente em US$ 600 milhões - bem como pagar US$ 150 milhões para os mais de 100 mil correntistas de bancos que quebraram desde 1997.
O presidente do oposicionista Partido Encontro Nacional (PEN), Euclides Acevedo, advertiu que os quatro ministros da oposição "representam um governo de co-responsabilidade mas não de unidade nacional, porque falta a unidade programática" de longo prazo. Em seu discurso, González Macchi prometeu um "governo de unidade de talentos, sem minorias privilegiadas nem maiorias excluídas", como reação aos protestos de dirigentes colorados com os cargos concedidos a outros partidos.
Para o presidente do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), Julio César Franco, o mais prudente teria sido Macchi se reunir com os partidos "antes de divulgar um pacote de medidas a médio prazo". Ele disse que não tem uma posição formada sobre a duração do governo González Macchi. "Mesmo que nos retiremos do gabinete, temos de continuar apoiando o governo", acrescentou.





