Novo presidente equatoriano diz que quer diálogo com indígenas
Quito, 24 (AE-AP) - O novo presidente equatoriano, Gustavo Noboa, admitiu hoje (24), numa entrevista à emissora de TV Canal 8, que o governo tem feito pouco pela população indígena e se disse disposto a dialogar com os dirigentes da Confederação das Nações Indígenas do Equador (Conaie).
O descontentamento dos indígenas desencadeou o movimento que resultou na deposição do presidente Jamil Mahuad e ascensão de seu vice, Noboa. O presidente da Conaie, Antonio Vargas, porém, reiterou que os indígenas não reconhecem a autoridade do presidente.
"É muito importante que tenhamos uma relação de diálogo com os indígenas", disse Noboa. "Precisamos encontrar soluções para seus problemas mais urgentes, mas, por desilusão ou angústia, ele tomaram o caminho errado", acrescentou, referindo-se ao "levante indígena" que levou os militares a forçar Mahuad a abandonar o poder.
Os indígenas, que compõem quase a metade da população equatoriana, queriam a destituição de Mahuad, de todos os seus ministros, dos deputados do Congresso e dos juízes da Corte Suprema. Na sexta- feira, tomaram o edifício do Congresso e proclamaram-se governo - por meio de uma "junta de salvação nacional", formada por Vargas, o ex-presidente da Corte Suprema Carlos Solórzano e o coronel do Exército Lucio Gutiérrez, presidente da junta.
O triunvirato foi dissolvido no sábado pela manhã, depois de Gutiérrez ter sido substituído na presidência pelo comandante das Forças Armadas, general Carlos Mendoza. Vargas acusa Mendoza de ter traído os indígenas ao entregar o poder ao vice. Parte do oficialato que expressou apoio a Gutiérrez também teria ficado descontente com a atuação de Mendoza, que passou para a reserva depois de empossar Noboa.
Fontes diplomáticas indicavam hoje que essa irritação se aprofundara com a insistência de Noboa em julgar Gutiérrez - detido por agentes da inteligência do Exército. O coronel deve enfrentar uma corte militar.
Noboa esforça-se para formar alianças que permitam a aprovação das leis complementares para a dolarização da economia do país, proposta por Mahuad.
Embora Mahuad tivesse sido forçado a deixar o palácio do governo na sexta-feira - os militares primeiro tentaram obrigá-lo a renunciar e depois o informaram de que não tinham condições de dar segurança a ele -, o golpe ganhou contornos de legalidade com a declaração da vacância do cargo pela Corte Suprema e a entrega do poder ao vice. O Congresso, no sábado, ratificou as duas medidas.





