São Bernardo do Campo (SP), 11 (AE) - A direção da Ford escolheu um executivo alheio à indústria automotiva, Antonio Maciel, para presidir a subsidiária do Brasil, na tentativa de que a sua experiência administrativa em outro ramo ajude a recuperar a rentabilidade da empresa. "Precisamos de novas idéias no meio automotivo porque esse setor tem sido o mesmo nos últimos 90 anos, explicou o presidente das operações Ford América do Sul, Martin Inglis.
Natural da Malásia e radicado nos Estados Unidos, Inglis foi transferido para o Brasil em janeiro e é o responsável pela mudança do comando da Ford Brasil. Na sua primeira aparição à imprensa hoje, Inglis disse que o fato de ser brasileiro dá a Maciel um diferencial importante porque a companhia acredita no potencial das pessoas nascidas no País para o trabalho das subsidiárias locais.
"Maciel é perfeito porque é qualificado, jovem, energético e engenheiro", disse. Ele não quis entrar em detalhes de como foi a busca do sucessor de Ivan Fonseca e Silva
que passa a ser o vice-presidente das operações da empresa na América do Sul, subordinado ao próprio Inglis. Fonseca e Silva foi o primeiro brasileiro a assumir a presidência de uma montadora no País. E, segundo Inglis, a idéia é manter a estratégia. Uma das missões de Fonseca e Silva será viabilizar as operações Mazda e Volvo, duas marcas em que a Ford tem participação, na América do Sul.
A missão de Maciel, que deixa a presidência do Grupo Itamarati, gigante da área de construção pesada, tem diversos desafios. O primeiro é melhorar a eficiência e reduzir os custos trabalhistas da fábrica de São Bernardo do Campo (SP).
Inglis disse que esta planta, que ainda tem 1.200 empregados ociosos, não será viável senão conseguir todos os itens do seguinte pacote: eficiência, produtos de sucesso, sistema de distribuição e vendas competitivo e baixos custos.
Outro desafio de Maciel é viabilizar projeto Amazon, que representa a fábrica nova, que não será mais construída no Rio Grande do Sul em razão da decisão do governador Olívio Dutra (PT) de romper acordo incentivos financeiros com a Ford fechado pelo seu antecessor. Inglis disse hoje estar "decepcionado" com o fracasso do projeto no Rio Grande do Sul.
Mas disse que está animado com a negociação com outros estados e apontou a necessidade de incentivos fiscais ajudarem na construção de uma fábrica competitiva. Segundo ele, a nova fábrica, que terá capacidade de produzir 250 mil veículos por ano, é vista pela matriz norte-americana da companhia como um projeto exemplo de eficiência, baixos custos e com os mais modernos métodos de manufatura.
Também faz parte da missão do novo presidente da Ford tirar a montadora do último lugar entre as quatro maiores. Inglis acha difícil que a participação da marca -12,5% do mercado, se alterem este ano. Ele disse que vai demorar muito tempo para que a empresa consiga as fatias semelhantes às que tinha em meados da década passada, por exemplo, véspera da criação da Autolatina.
Maciel também assume o comando da Ford num dos momentos mais competitivos da indústria automobilística brasileira. Até a virada do século, pelo menos 17 marcas estarão disputando este mercado com fábricas no País.
Para Inglis, mais importante do que saber quem vai sobreviver é apostar em quem vai conseguir ganhar dinheiro. A Ford Brasil amargará prejuízo mais uma vez este ano. E Inglis acha que o ano 2000 também será difícil.
Demanda - A concorrência entre as marcas tende a se agravar porque existe uma forte tendência de a oferta de carros superar a demanda nos próximos anos. Inglis prevê que a indústria estará produzindo 3 milhões de veículos por ano em 2003, quando a demanda não passará de 2,3 milhões.
Somente o crescimento da economia é capaz de alterar esse quadro segundo o executivo da Ford. Ele lembrou hoje que 13% dos brasileiros conseguem comprar carro - destes, apenas 7% adquirem um modelo zero-quilômetro. "Se o Produto Interno Bruto crescer este potencial aumentará muito". A curto prazo, Inglis defende a redução dos juros. Segundo ele, o mercado de carros precisa deste suporte financeiro para ativar as vendas.
As mudanças no Brasil, ressaltou Inglis, não têm a ver com a restruturação que a Ford está fazendo a nível mundial. Segundo ele, as alterações no comando do Brasil e América do Sul foram decididas localmente.
Ele também nomeou outros dois novos diretores de operações na América do Sul: Daniel Moran para a área financeira (ex-diretor financeiro da Ford Argentina) e Ivan Witt como diretor de compras (um brasileiro que era gerente de logística da Ford Europa). Todos tomam posse no dia 1º.

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