Rio, 08 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, deverá voltar em janeiro de uma viagem para o exterior trazendo uma novidade esperada pelo mercado de capitais há mais de três meses: o nome do novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo informou uma alta fonte da autarquia, o advogado Francisco da Costa e Silva, há quatro anos e meio no cargo, espera apenas uma decisão "do patrão" para deixar o governo e iniciar uma carreira na iniciativa privada.
Costa e Silva admite "estar cansado da vida pública", mas evita falar oficialmente que pediu demissão. Nas rodas de instituições de mercado, no entanto, a notícia já não é mais novidade e todos esperam apenas a volta do ministro para uma definição para o cargo. Já surgiram, inclusive, vários candidatos à vaga, sendo que apenas dois se mantém como os mais viáveis: o ex-diretor da CVM, Renné Garcia, e o conselheiro da Câmara de Liquidação e Custódia, Ruy Schineider.
Garcia, segundo o mercado, conta com uma indicação de peso, vinda do Banco Central. Seria uma forma de o BC estreitar relações com a autarquia e fortalecer a idéia de se criar um órgão único fiscalizador, incluindo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), além do BC e da CVM. O ex-diretor, que trabalhou na CVM durante a gestão de Ary Oswaldo Mattos Filho, logo no início do governo Collor, também conta com a preferência de instituições do mercado de capitais, como a Associação Brasileira de Analistas do Mercado de Capitais (Abamec). "Garcia é um técnico com experiência nas três áreas do mercado: empresa (foi diretor da Moinho Santista), da financeira e da reguladora, como diretor da CVM)", ressaltou. Renné Garcia não foi encontrado para comentar a sua indicação.
Já Schineider confirmou ser um dos indicados ao cargo de presidente da autarquia, mas disse que não foi procurado pelo ministro Malan. Mas, acrescentou, aceitaria o cargo. "Tenho uma proposta desenvolvimentista, sem prejuízo da importância da regulamentação do mercado, mas com uma postura de fomento", ressaltou. Schineider foi vice-presidente de Mercado de Capitais do Banco Montreal, onde foi o criador no Brasil do serviço de administração de carteiras institucionais. Também foi vice-presidente do grupo Multiplan e atualmente é dono de uma empresa de consultoria e projetos na área financeira.
Segundo o mercado, Schineider teria o apoio da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) e da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca). O presidente da associação, Alfried Pl”ger, afirmou, no entanto, não ter preferências. "Nossa posição é neutra", destacou.
Estrangeiros - o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Francisco da Costa e Silva, disse hoje que a autarquia está elaborando estudos para simplificar o acesso do investidor estrangeiro ao mercado de capitais do Brasil. Costa e Silva afirmou ainda que o estudo deverá ser apresentado na primeira reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) no ano que vem. A reunião ocorrerá em janeiro. Segundo Costa e Silva, desta reunião deverá sair uma instrução da CVM e uma carta circular do Banco Central com normas para simplificar a entrada de capital estrangeiro nas Bolsas de Valores. Isso deverá permitir inclusive que investidores individuais possam aplicar no mercado de ações no Brasil. O acesso do investidor estrangeiro ao mercado brasileiro hoje é muito complicado, segundo o presidente da CVM. Ele apontou esse fato como um dos entraves para o desenvolvimento do mercado de capitais no País. Costa e Silva fez o discurso de abertura do seminário sobre rumos do mercado de capitais no Brasil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), no Rio.

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