Novo presidente da CNBB pede democracia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de junho de 1998
Agência Estado 
Ainda não acostumado com a idéia de ser o novo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o bispo de Pelotas, d. Jaime Chemello, é a favor dos saques para suprir a necessidade dos que têm fome e contra as ações organizadas, em parte, por grupos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Será que todos têm fome? E como ficam os que foram saqueados?, questiona. Na primeira entrevista como presidente da entidade, ontem, d. Chemello disse que o Brasil precisa se reencontrar com a democracia. Plenamente, não há um processo democrático no Brasil de hoje, analisa, numa crítica direta ao governo e à sociedade.
A liberdade política não é suficiente, na visão do bispo de Pelotas, se não há emprego, se o governo não ouve o povo sobre decisões importantes, como a privatização da Telebrás, e se a sociedade não consegue se mobilizar para dizer ao governo que as negociações com os professores universitários em greve têm de ser diferente. Se as pessoas tivessem consciência democrática e social se organizariam e diriam ao governo: não pode ser assim.
O bispo também estranha como a privatização transformou-se em solução para tudo. Está preocupado, especialmente, com a venda da Telebrás. Dizem que telefone dará uma grana federal. Vendem o que dá dinheiro, quando poderia ficar com o País, lamenta.
D. Chemello ainda lembra que muita gente vota e nem sabe em quem está votando. Neste ano eleitoral, a igreja comandada por Chamello ajudará o povo a tomar a decisão. A Igreja deve ser a consciência crítica, mas não pode pôr cabresto no povo, definiu, explicando que caberá aos padres conscientizar seus fiéis da importância de votar bem.
Outro problema do Brasil, na opinião do bispo, é a renda superconcentrada. O País é a oitava economia do mundo e, no entanto, pais não conseguem pôr os filhos nas escolas e a população não dispõe de qualidade na questão da saúde. Segundo ele, a forma como os países que seguem a social-democracia, entre eles o Brasil, conduzem a economia é desfavorável ao emprego. O desemprego é uma tragédia. É fácil gerar ambiente de violência, adverte.


