Moscou, 12 (AE-AP) - Sergei Stepashin há muito tem demonstrado uma grande habilidade em ler folhas de chá na caneca de intrigas do Kremlin.
Stepashin, nomeado hoje como primeiro-ministro em exercício, uniu- se ao governo de Boris Yeltsin em 1993 quando crescia um confronto entre o parlamento e o presidente. Stepashin, um deputado, preferiu renunciar ao parlamento a desafiar Yeltsin.
A decisão provou ter sido sábia. Não muito depois, Yeltsin dissolveu o parlamento e um confronto político transformou-se num militar, com tanques do governo bombardeando o prédio do parlamento depois de um levante de manifestantes da oposição.
Na época, Stepashin estava começando uma carreira nas agências de segurança da Rússia que o levaria aos mais altos postos, como chefe de espionagem e comandante das florescentes tropas e polícia do Ministério do Interior.
Agora, Yeltsin certamente garantiu outro confronto com o parlamento ao nomear Stepashin, 47 anos, como seu primeiro-ministro em exercício e o nomeando para ser o sucessor permanente de Yevgeny Primakov, a quem ele demitiu hoje.
A Câmara baixa do Parlamento, a Duma Estatal, provavelmente rejeitará a nomeação. Se ela fizer isto três vezes, Yeltsin será forçado a dissolver o parlamento, estabelecendo outra crise política.
Stepashin está entre os mais leais e antigos assessores de Yeltsin, e segundo notícias teria construido uma poderosa base de poder no Kremlin como ministro do Interior desde abril último.
Depois de renunciar ao parlamento em 1993, Stepashin foi recompensado com um cargo de alto oficial de segurança. No ano seguinte, ele tornou-se chefe do Serviço Federal de Contra- inteligência, substituindo um homem demitido por recusar-se a bloquear a libertação de adversários de Yeltsin da cadeia.
Eventualmente, Stepashin tornou-se o chefe do Serviço Federal de Segurança, a sucessora da KGB. Neste papel, ele foi um dos principais arquitetos da desastrada guerra da Rússia na Chechênia - uma guerra que provocou um tropeço em sua carreira no Kremlin.
Em 1995, Stepashin estava entre os vários oficiais demitidos por seu papel numa atrapalhada tentativa de libertar reféns capturados por guerrilheiros chechenos no sul da Rússia.
Ele retornou em 1997, nomeado ministro da Justiça para suceder um homem demitido num escândalo sexual com nuances mafiosas.
Depois, ele tornou-se ministro do Interior em exercício, e então ministro do Interior, responsável pelo combate à criminalidade e corrupção.
Aparentemente ele teve pouco sucesso nas duas frentes, como não teve nenhum em suas duas maiores investigações no ano passado - do assassinato a tiros da deputada Galina Starovoitova e do incêndio que destruiu a sede do Ministério do Interior em Samara, matando 68 pessoas. Os dois casos continuam sem solução.

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