Novo preço do gás inviabiliza usinas térmicas do País
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quinta-feira, 05 de agosto de 1999
Por Milton F.da Rocha Filho 
São Paulo, 6 (AE) - O aumento do preço do gás natural em 28,78% agora em agosto e mais 11,22% em setembro inviabilizou o programa do governo de implantar dez usinas térmicas emergenciais em regiões estratégicas do País, afirmaram empresários presentes na reunião do Mercado Atacadista de Energia (MAE).
O presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Carlos Anísio Figueiredo, salientou que vai entrar no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e na Secretaria de Defesa Econômica (SDE) com um pedido de processo contra esse aumento, que considerou abusivo.
O aumento do gás natural determinado pela Petrobrás atinge também o gás da Bolívia, que passa a custar quase US$ 3 por milhão de BTU (R$ 5,37 por milhão de BTU com o dólar a R$ 1 81). Os presidentes de companhias geradoras que participaram da reunião do MAE entendem que essa decisão da Petrobrás deve ser levada ao Ministério de Minas e Energia, que nos últimos 4 meses tem trabalhado no plano de implantação das usinas térmicas no País.
O aviso de aumento do preço do gás natural foi encaminhado pela Petrobrás a 24 companhias distribuidoras de gás no País e a várias entidades empresariais. O aumento começou a ter vigência na quarta-feira. Na área do governo tanto membros do ministério de Minas e Energia como da Agência Nacional de Petróleo (ANP) foram surpreendidos com a decisão da Petrobrás.
Nessa próxima semana os empresários prometem fazer carga junto ao governo para obrigar a Petrobrás a rever o aumento. "Está na hora do governo procurar saber quais as razões que levaram a Petrobrás a exagerar no aumento do preço do gás natural. Sabemos perfeitamente que 85% do gás natural que o País produz é associado ao Petróleo, ou seja tem um custo marginal. Seu preço não pode ser exagerado", afirmou o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e da Indústria de Base (Abdib), José Augusto Marques.
Emerganciais - Marques salientou que existem hoje no País 21 projetos de termoelétricas, que deixarão de ser realizados caso a Petrobrás mantenha o atual preço do gás natural. "Dentro desse projeto de 21 unidades de termoelétricas
dez são consideradas emergenciais. Todos sabem na área energética que o País no próximo ano estará vivendo momento de dificuldade."
O crescimento da economia dificilmente será atendido com um crescimento na geração de energia, adverte ele. "Porque não temos nenhuma grande usina ou mesmo uma termoelétrica para ser inaugurada. Além disso faltam chuvas no País, e os reservatórios das principais hidroelétricas já estão se recentindo, com seus níveis caindo. Um exemplo disso temos nos reservatórios das hidroelétricas do Rio São Francisco que estão baixíssimos devido à ausência de chuvas", afirmou.


