Novo perfil da balança comercial pressiona fretes
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terça-feira, 29 de junho de 1999
Por Kelly Lima 
Ribeirão Preto (SP), 30 (AE) - O coordenador executivo do Comitê de Usuários dos Portos do Estado de São Paulo (Comus), José Cândido Senna, afirmou hoje que o crescimento no volume de exportações desde a desvalorização do real está gerando um efeito negativo para os exportadores, que é o aumento do frete protuário.
Senna, que falou o Seminário sobre Modernização dos Portos, realizado pela Asociação Comercial e Industrial (ACI), disse que desde fevereiro o frete aumentou pelo menos 20% por conta do volume de navios que acabam voltando vazios do exterior
já que a contrapartida da desvalorização cambial foi a queda das importações.
"A conta é simples, se você gasta um valor x para ir de São Paulo a Caruaru e voltar, você pode diluir esse custo cobrando do transportador da carga daqui para lá e de lá para cá. Mas se você só tem carga em uma via desta rota, é esta carga que deverá pagar o valor de ida e volta da viagem. Ou seja, isso também tem acontecido na balança do comércio exterior", exemplificou.
Segundo dados do Comus, até fevereiro o volume de importações e exportações era praticamente equilibrado, mas a partir daquele mês o volume de contêineres que voltaram vazios do exterior cresceu 67%, contra um crescimento de 19% no volume de cargas exportadas. Se comparados os meses de março de 99 e março de 98, a diferença passa a ser de um aumento de 97% entre os contêineres vazios para um crescimento de 56% no volume de exportação.
"É o grande problema. Não há como pensar apenas em diminuir o volume de importação e aumentar o de exportação, sem lembrar dos efeitos que essa alteração vai causar", afirmou.
Seco - O diretor executivo do Grupo Rodrimar, Flávio Eduardo Rodrigues, que opera a estação aduaneira de Ribeirão Preto, disse durante o seminário que o chamado porto seco deverá ter a sua função consolidada somente a partir de agosto, quando passará a contar com uma base do Ministério da Agricultura.
Desde que foi inaugurado, em 25 de fevereiro, a estação aduaneira de Ribeirão vem trabalhando apenas com cargas industriais. "Estamos comercializando apenas máquinas e equipamentos desde que começamos a atuar nessa área", disse ele.
Segundo Rodrigues, foram negociadas até o momento cerca de 40 cargas, no valor total de US$ 4 milhões. "Não temos quaisquer expectativas com relação ao volume que fecharemos este ano, porque nossa meta em primeira instância é tornar este tipo de trabalho conhecido, mas já sabemos que o volume tende a crescer muito com o início das operações com produtos agrícolas", avaliou.
Outro ponto que deverá ser fundamental para alavancar o volume de negócios feitos pelo porto seco de Ribeirão é o final da concessão da estação aduaneira de Uberaba (MG) em 30 de novembro. "Vamos entrar de vez no mercado do Triângulo Mineiro também, além da região de Ribeirão", afirmou.


