Amã, 07 (AE-REUTERS) - A morte do rei Hussein deixa Abdullah, seu filho e sucessor inexperiente, diante de tremendos riscos políticos e econômicos que desafiaram o veterano monarca hachemita durante seu reinado de meio século.
Abdullah, de 37 anos, que assumiu o trono jordaniano perante o Parlamento menos de quatro horas depois da morte de seu pai, sucede a um homem considerado um crucial promotor da paz entre árabes e israelenses, que guiou seu pequeno e frágil reino durante anos de convulsões na região.
Inexperiente nos assuntos de Estado, o soldado profissional Abdullah deu a impressão de não estar muito à vontade nos dois pronunciamentos que fez ao público desde que foi designado o herdeiro do rei Hussein.
Hoje, ao confirmar pela televisão a notícia da morte de seu pai, vitimado por um câncer nas glândulas linfáticas, Abdullah leu o texto vagarosamente e de maneira hesitante num árabe malfalado - uma herança de sua mãe inglesa e de sua educação no exterior.
Chamado do Exército como a escolha inesperada do rei para ser o herdeiro do trono no mês passado, a primeira tarefa de Abdullah será a de amenizar os ressentimentos causados pela rejeição, aparentemente amarga, do irmão mais novo do rei, o príncipe Hassan, como herdeiro do trono.
O novo soberano terá de enfrentar uma economia conturbada, a divisão interna por causa do tratado de paz da Jordânia com Israel, firmado em 1994, e a revolta diante dos ataques aéreos contra o vizinho Iraque, lançados pelos Estados Unidos - um país- chave no apoio econômico e militar ao reino jordaniano.
As negociações palestino-israelenses a respeito do status definitivo dos territórios palestinos - as quais foram apenas iniciadas e ajudarão a decidir o futuro de 1,5 milhão de refugiados palestinos na Jordânia - constituirão outro teste difícil para Abdullah.
Como novato em política, ele terá de tratar com astutos dirigentes nos países vizinhos - Arábia Saudita, Síria e Iraque -, Estados que mantêm disputas históricas e até mesmo ambições territoriais em relação à Jordânia.
"Ninguém vai preencher o lugar o rei Hussein", afirmou um analista jordaniano quando lhe perguntaram como Abdullah poderá enfrentar esses múltiplos dasafios.
Mas poucos estão prevendo um desafio para Abdullah dentro ou fora do palácio, agora que ele assumiu efetivamente as rédeas do poder.
"O príncipe Hassan comportou-se de uma maneira muito nobre e ajudou a suavizar a transição", ressaltou Mustafá Hamaneh, do Instituto de Estudos Estratégicos da Jordânia.
A posição de Abdullah como chefe das Forças Especiais (de elite) da Jordânia garante ao novo soberano o apoio das Forças Armadas, alicerce da monarquia hachemita desde a independência da Jordânia, em 1946.
Sua mulher palestina, Rania, é uma garantia de popularidade entre uma grande parte dos 4,6 milhões de habitantes da Jordânia. Isso é uma compensação para sua desvantagem de ter tido uma mãe não-árabe.
Alguns diplomatas disseram que o jovem e entusiasta Abdullah é, para aos jordanianos, o nome mais fácil em torno do qual se unir depois do profundo choque que a morte do rei Hussein está causando.
"Seu sucesso dependerá mais de sua capacidade de atrair e reunir o povo do que de seus dons inatos", comentou um diplomata.
O príncipe Abdullah nasceu em Amã no dia 30 de janeiro de 1962, filho de Hussein e da segunda mulher do rei, a inglesa Toni Gardiner, conhecida como princesa Muna.
Com 4 anos, foi enviado à Inglaterra para estudar, mas concluiu os estudos secundários nos Estados Unidos. Mais tarde, fez cursos de um ano sobre assuntos internacionais na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e na Universidade de Georgetown, em Washington.
Em 1980, entrou na Academia Militar Britânica, em Sandhurst, e serviu no Exército britânico na Alemanha Ocidental e na Inglaterra. Prestou serviços nas Brigadas Blindadas 41 e 90 da Jordânia, na Ala de Helicópteros Antitanque da Força Aérea e na 2.ª Brigada de Guardas.
Em 1993, foi nomeado vice-comandante das Forças Especiais, assumindo o comando um ano mais tarde.
Abdullah casou-se com Rania em junho de 1993 e ambos tiveram um filho, príncipe Hussein, e uma filha, a princesa Iman. Abdullah tem as qualificações de homem-rã e de piloto. Interessa-se também por corridas de automóveis, esportes aquáticos e mergulho, além de colecionar armas antigas.

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