Novo ministro vai manter diretor da PF
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de julho de 1999
Por Mariângela Gallucci 
Brasília, 16 (AE) - O novo ministro da Justiça, o advogado criminalista José Carlos Dias, de 60 anos, vai manter no cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF) Agílio Monteiro Filho. Dias quer que PF seja independente e imune à ingerências políticas. Segundo ele, os policiais e delegados devem ser respeitados em suas decisões, não podendo ocorrer interferências políticas para afastá-los de investigações.
"Deste, eu tenho as melhores referências", disse Dias ao confirmar Monteiro Filho na direção da PF. Do diretor anterior, João Baptista Campelo, o ministro afirmou ter se posicionado publicamente contra a indicação. Campelo foi acusado de ter participado de sessões de tortura durante o regime militar. O ministro disse que deverá colocar pessoas de sua confiança no Ministério da Justiça, mas que manterá algumas autoridades em seus cargos.
Advogado de cerca de 700 ex-presos políticos do regime militar, incluindo o novo secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, Dias será o primeiro ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso que terá um relacionamento mais afinado com o secretário de Direitos Humanos
José Gregori. "Eu sou amigo fraterno do José Gregori", disse o ministro. Por esse motivo, ele afirmou que os problemas relacionados a direitos humanos serão enfrentados "de mão dadas". O ministro declarou que é preciso resolver o problema de relacionamento existente entre a PF e a Secretaria Nacional Antidrogas.
Além de Gregori, Dias afirmou ter um relacionamento amigável com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele pretende fazer em breve uma visita ao STF. Aproveitando essa sintonia, Dias deverá ser a ligação do Poder Executivo com a cúpula do Judiciário. Quando indagado sobre os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário, afirmou que "todos os Poderes têm de ser investigados" e que "ninguém está acima da lei".
O ministro atacou as leis brasileiras. "Temos leis muito mal feitas", afirmou. Citou como problemática a lei de crimes hediondos. Ele considera que cabe ao juiz graduar a pena.
O ministro disse que foi surpreendido pelo convite feito por Fernando Henrique na quarta-feira. Os dois se conhecem desde a época do regime militar. Dias carregava uma foto antiga na qual ele estava com o presidente, o governador Mário Covas e os ex-deputados Ulysses Guimarães e Franco Montoro. A intenção era presentear Fernando Henrique com a fotografia. Dias lamentou a morte de Montoro que, segundo ele, foi um modelo de seriedade e firmeza.
Sobre o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva
Dias afirmou que os dois ficaram presos na mesma cela, no Dops, por sete horas. O então advogado foi preso por ter participado da intermediação de uma greve na região do ABC.
Dias afirmou que a sua ida para o Ministério da Justiça vai representar uma perda financeira, já que ele vai se desligar do escritório de advocacia.


