Novo ministro é considerado 'desenvolvimentista' por empresários
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domingo, 05 de setembro de 1999
Por Milton F. da Rocha Filho e Alcides Ferreira 
São Paulo, 06 (AE) - O executivo Alcides Tápias, escolhido hoje o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, é considerado nos meios empresariais como um "desenvolvimentista", pois "está sempre pensado em avançar, em crescer". Isto já ocorria quando Tápias era vice-presidente do Bradesco, de acordo com o que narram os ex-colegas da Cidade de Deus, onde está a sede da instituição.
Como vice-presidente do Bradesco, Tápias era um dos nomes mais cotados para ocupar o posto de presidente da instituição, sucedendo Lázaro de Mello Brandão. Mas Brandão, escolhido ainda pelo fundador do banco, Amador Aguiar, para o cargo, preferiu indicar o nome de Márcio Cypriano para o suceder. No Bradesco, Tápias também passou pela presidência da maior entidade de banqueiros do País, a Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban). Aos 53 anos, Tápias deixou o Bradesco.
Em seguida, em 7 de fevereiro de 1996, teve o nome anunciado como novo presidente do Grupo Camargo Corrêa, que reúne mais de 30 empresas e buscava se reestruturar. Ele foi trabalhar diretamente com a família do empresário Sebastião Camargo. A saída do Bradesco, segundo o mesmo Tápias, foi tranquila. Ele foi convidado a permanecer ligado ao banco como consultor ou representante em conselhos de administração nas empresas em que o banco tinha participação.
Tápias nunca foi de dar entrevistas. Sempre foi discreto. Mora na zona leste de São Paulo, no Jardim Anália Franco, e, na tradição dos veteranos executivos do Bradesco, detesta a ostentação. É torcedor do Corinthians e acompanha muito os jogos.
Ao assumir o Grupo Camargo Corrêa, redesenhou o processo de trabalho, com uma equipe. Nunca admitiu fazer nada só. Ele sempre diz: "Não foi só eu, mas a equipe que trabalha na Camargo é quem fez; seria injusto dizer ao contrário."
Assim é que a Camargo Corrêa, com aprovação do Bradesco, assumiu a responsabilidade do gerenciamento da São Paulo Alpargatas, lá colocando uma dupla de confiança, o presidente Fernando Tigre e o responsável pelas finanças, Francisco Céspede. Deu certo e a empresa voltou a dar lucros. Bradesco e Camargo Corrêa, somadas as participações, controlam a companhia.
Tápias trabalhou na expansão da Camargo Corrêa. Sob a gestão dele, a companhia comprou a Cimento Cauê, conseguiu vencer concorrência da Eletrobrás para construir a fase 2 da Hidrelétrica de Tucurui, investiu US$ 40 milhões e ampliou o Shopping Jardim Sul, além de reestruturar o setor financeiro aliando-se ao Banco Santander. Ampliou a participação da Camargo Corrêa na Usiminas de 3% para 7%.
Para Tápias, o déficit fiscal é um mal crônico do País. Na cerimônia em que recebeu neste ano o título de administrador emérito do Conselho Regional de Administração de São Paulo, o executivo lembrou que o momento pelo qual passa o Brasil é muito importante. Ele acredita que todo esforço será suportável, desde que esteja a serviço de um projeto que abrevie ao máximo o período de privações. Principalmente, que recoloque, no curto e médio prazos, o País no caminho do crescimento econômico e do desenvolvimento social.


