Novo material termoplástico tem múltiplas aplicações na indústria
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quinta-feira, 09 de setembro de 1999
Por Leda Beck 
São Francisco, 10 (AE) - O que é, o que é? Tem a flexibilidade do papel, a impermeabilidade do plástico e as virtudes da celulose - como a biodegradabilidade, por exemplo. Pesquisadores do Virginia Tech, o instituto de pesquisas tecnológicas da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, acabam de desenvolver um processo muito simples para criar nanocompostos termoplásticos a partir de fibras de celulose.
O nome é complicado, mas o processo é simples e o resultado, milagroso: o novo material tem inúmeras aplicações nas indústrias de móveis, eletrodomésticos e embalagens. É possível que, em breve, televisores, mesas de jantar e sacolas de supermercado já sejam fabricados com esse material.
O cientista Hiroyuki Matsumura, da Daicel Chemical Industries, do Japão, que faz produtos baseados em celulose e petróleo, e o professor Wolfgang Glasser, de Ciência da Madeira, no Virginia Tech, apresentaram os resultados de sua pesquisa aos participantes do 218º Encontro Nacional da Sociedade Americana de Química, que se realizou recentemente em New Orleans.
Juntos, os dois cientistas desenvolveram um novo processo: aplicaram um solvente em fibras de polpa de madeira, mas um solvente especial, que não chega a penetrá-las completamente; em seguida, submeteram essas fibras a pressão sob temperatura elevada e, desse modo, formaram uma lâmina de polímero semitransparente que é, na verdade, um nanocomposto de ésteres de celulose e de celulose pura.
O éster de celulose é a celulose modificada por reação química
o que resulta em uma espécie de plástico. A polpa de madeira bruta parece com lenços de papel rasgados. Quando se acrescenta o solvente, as fibras permanecem com a mesma aparência, mas as microfibrilas dentro de cada fibra de polpa de madeira ficam muito parecidas com plástico.
"A pressão a quente sobre essas fibras faz com que as superfícies do éster de celulose nas microfibrilas modificadas se fundam para formar um material contínuo", explicou Matsumura. "O nanocomposto consiste de uma mistura de celulose e de éster de celulose, na qual cada componente tem vários nanômetros de dimensão."
Um nanômetro corresponde a um centésimo-milionésimo de metro, infinitamente menor que um fio de cabelo, por exemplo.
Esse material tem as virtudes do termoplástico, porque é resistente à água, pode ser modelado por calor e é expansível, ou seja, pode ser transformado em espuma.
Como se trata de um nanocomposto, isto é, de uma mistura em níveis microscópicos e não de uma mistura simples, ele também retém as virtudes das fibras de celulose, que a natureza usa como agente de reforço (esse agente propicia rigidez aos materiais).
"A celulose não modificada adiciona ainda resistência e biodegradabilidade ao material", disse Matsumura. "O processo de fabricação do novo material é também mais barato do que o dos materiais de éster de celulose disponíveis comercialmente e cujo processamento é altamente complexo."
Renovável - Outra vantagem é que o novo material vem de um recurso natural renovável - e pode ser obtido por meio de um processo simples, em termos de recursos e de materiais.
O pesquisador acha que os nanocompostos térmicos podem ser usados não apenas onde a robustez e a resistência à umidade e ao calor são desejadas - como em painéis para a indústria de transporte ou gabinetes para produtos elétricos e eletrodomésticos -, mas também "nos produtos em que se busca um toque agradável parecido com o da madeira, como na indústria de móveis".


