Cidade do Vaticano , 26 (AE-ANSA)- O demônio não apenas existe mas se mantém ativo, e por isto a Igreja católica acaba de publicar um novo manual para exorcistas, o texto oficial que se deve utilizar para expulsar o diabo do corpo dos possessos, com todas as precauções necessárias quando se atua numa área tão delicada.
Ao apresentar hoje (26) à imprensa o documento, o prefeito para o Culto Divino, o cardeal chileno Jorge Arturo Medina Estévez, lembrou como a prática do exorcismo cristão tem suas raízes no Evangelho, onde é relatado como Jesus libertou vários endemoninhados, e a Igreja tem mantido esta herança.
É por isso que a introdução do novo manual volta a narrar a rebelião de Lúcifer e os anjos apóstatas, que marca o começo da "luta tremenda contra os poderes das trevas", uma luta que teve início com a origem do mundo e que durará, como disse o Senhor, "até o último dia".
Nesta batalha cósmica entre a Luz e as Trevas, acrescenta o texto, os cristãos devem permanecer vigilantes, pois "o diabo anda por aí como um leão rugindo, buscando a quem devorar".
E apesar de a Teologia ensinar que o Príncipe das Trevas não pode "ultrapassar os limites impostos por Deus" logo após sua caída, lhe sobrou a oportunidade de apoderar-se das pessoas.
É então que torna-se necessário o trabalho do exorcista, que deve sempre ser um sacerdote delegado por seu bispo para esta difícil missão, com base em seus particulares dons de "piedade, ciência, prudência e santidade de vida", e é quem utilizará o novo manual, por enquanto disponível apenas em latim, mas que será adaptado a diferentes idiomas pelas conferências episcopais competentes.
O novo texto -um elegante volume com capa de couro vermelho, de umas 90 páginas, e intitulado "De Exorcisismis et supplicationibus quibusdam" (sobre todo tipo de exorcismo e súplicas) substitui a edição anterior, em vigor desde 1614, e sua promulgação foi feita pelo papa em 1Ý de outubro de 1998.
"O exorcista, dado o caso de uma intervenção diabólica, deve utilizar toda a necessária e máxima prudência. Acima de tudo, não deve pensar que aquele que sofre de algum tipo de enfermidade, sobretudo psíquica, é perseguido pelo demônio", aconselha o manual.
E também, o texto especifica que "não deve-se acreditar que exista uma obsessão (demoníaca, NDR) quando alguém afirma que tem sido tentado de maneira particular, ou afetado ou ofendido pelo diabo, porque pode ser que seja vítima de sua própria imaginação".
Igual prudência é recomendada ao exorcista frente a pessoas que afirmam ser objeto de "malefícios e maldições realizadas por outros": o sacerdote "não deve negá-lo ajuda espiritual, mas em absoluto deve-se praticar o exorcismo".
Entre os sinais que permitem reconhecer os endemoninhados, são destacados o de "falar idiomas desconhecidos, manifestar-se sobre coisas remotas e ocultas, demonstrar uma força física não compatível com sua idade e estado de saúde", assim como a expressão de um "rechaço visceral" a Deus
O exorcista, entretanto, não deve proceder com o ritual estabelecido até que tenha a "certeza moral" de estar verdadeiramente diante do demônio, e em caso de dúvida é recomendada sempre uma investigação suplementar, que inclua a opinião de um especialista.

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