Novo líder do governo no Senado defende FHC na tribuna
Brasília, 25 (AE) - O novo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (PMDB-RN), presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), está fazendo, neste momento, um pronunciamento da tribuna da Casa, em defesa do presidente Fernando Henrique Cardoso, acusado, em reportagem publicada hoje pelo jornal "Folha de S. Paulo", de ter interferido em favor de um consórcio licitante, no processo de privatização do Sistema Telecomunicações Brasileiras (Telebrás). Bezerra observou que a suposta denúncia do jornal não encontra amparo sequer na transcrição dos diálogos, obtidos por meio de escuta telefônica clandestina. Ele lamentou que esse tipo de ação tenha sido realizado no momento em que a economia brasileira dá os primeiros sinais de recuperação da crise provocada pela mudança cambial de janeiro e em que um país vizinho, a Argentina, enfrenta também um grave momento de crise econômica. O senador afirmou ainda que a leitura dos diálogos transcritos mostra que a honra do presidente está preservada. A preocupação do presidente, que transparece nos dálogos, segundo Bezerra, era com a hipótese de que empresas não-qualificadas viessem a operar num setor extremamente importante da telefonia brasileira. Pela primeira vez este ano, os líderes dos partidos que participam do governo Fernando Henrique estão atuando conjuntamente e de forma coordenada, em defesa do governo, num episódio cujos desdobramentos podem significar desgaste político da figura do presidente e da administração dele. O pronunciamento de Bezerra recebeu apartes dos demais líderes partidários da base do governo, todos em defesa de Fernando Henrique. O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), disse concordar com as observações de Bezerra e que também viu, nos diálogos gravados ilegalmente, a preocupação do presidente com a hipótese de um grupo inexperiente vir a assumir um setor importante da telefonia e isso a afetar a sociedade brasileira como um todo. O líder do PFL, Hugo Napoleão (PI), outro que interveio em defesa do presidente, disse que a reportagem publicada na edição de hoje do jornal "Folha de S. Paulo" mostra que não havia preocupação nem interesse de Fernando Henrique ou do governo em beneficiar qualquer grupo participante da licitação. Machado observou que a transcrição dos diálogos mostra funcionários do governo atuando com o objetivo de obter o melhor resultado econômico da privatização e a melhor qualidade na prestação dos serviços. "O gravíssimo em tudo isso", afirmou Machado, "é que uma conversa privada do presidente da República foi gravada clandestinamente e, agora, publicada e divulgada de uma maneira lamentável". O líder do PSDB observou ainda que as gravações passadas à "Folha de S. Paulo" devem ser resultado de um esquema de espionagem comercial usado em 1998 e agora para prejudicar politicamente o governo.





