Novo laudo da Unicamp conclui que Suzana media até 1,57 metro
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP (AE) - Um novo laudo divulgado hoje pelo Departamento de Medicina Legal (DML) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, concluiu que a namorada do empresário Paulo César Farias, o PC, Suzana Marcolino da Silva, não poderia medir mais do que 1,57 metro.
O documento, assinado pelo perito Ricardo Molina de Figueiredo, contradiz a versão oficial, apresentada pelo legista Fortunato Badan Palhares, para quem Suzana media 1,67 metro.
A estatura da namorada de PC é considerada fundamental para determinar a trajetória do tiro que causou a morte dele em 23 de junho de 1996, em Maceió. Pela versão oficial, Suzana teria assassinado PC e depois cometido suicídio, disparando contra o próprio peito. A comprovação de que ela media 1,57 metro tornaria impossível a tese de suicídio. Nesse caso, a bala teria atingido a cabeça ou passado sobre o ombro.
O novo laudo diz que Suzana deveria medir, no mínimo, 1 53 metro e, no máximo, 1,57 metro. Figueiredo, que é diretor do DML, realizou o estudo a pedido do promotor Luiz José Gomes de Vasconcelos, que reabriu as investigações em abril. O documento, de 28 páginas, intitulado "A Estatura em Vida de Suzana Marcolino", foi enviado na quinta-feira (20) a Maceió.
"Não temos nenhuma dúvida de que Suzana era menor que PC", diz Figueiredo. Para desenvolver o trabalho, o perito baseou-se em 13 fotografias fornecidas pelo promotor. Nas imagens, Suzana aparece em diversas posições e com diferentes sapatos, ao lado da irmã Ana Luíza, que media 1,63 metro, e de PC, que também tinha 1,63 metro. "A faixa segura na qual a estatura de Suzana se insere é de 1,53 metro a 1,57 metro", garante Figueiredo.
Para chegar a esse resultado, o perito estudou diferentes tipos de saltos fabricados pela indústria de calçados. Pelo menos quatro deles coincidem com os sapatos que Suzana aparece usando nas fotografias.
Numa das fotos, Suzana e PC aparecem no mesmo plano e, embora usando salto alto, ela está mais baixa do que ele. As fotos em que Suzana aparece ao lado da irmã, segundo Figueiredo, também comprovam essa projeção.
O novo laudo da Unicamp confirma a versão apresentada pelo legista Daniel Munhoz, da Universidade de São Paulo (USP), que apresentou um estudo afirmando que Suzana media 1,57 metro. O perito calculou a estatura por meio de projeções antropométricas, tomando como base os ossos longos, como fermur e tíbia. Em declarações, Palhares tem contestado o método usado por Munhoz.
Figueiredo, que é desafeto declarado de Palhares, também assinou, com outros dez peritos, o laudo oficial que sustenta a versão de homicídio seguido de suicídio. Ele explica, porém, que
na época, o trabalho dele limitou-se à análise de fitas com gravações de telefonemas feitos por Suzana. "Não sou legista e, por isso, não participei da necrópsia nem da perícia no local do crime", diz Figueiredo, que é especialista em fonética forense.
O diretor do DML disse ainda que não pode dar nenhum parecer sobre as prováveis circunstâncias em que PC e a namorada morreram.
"Realizei um estudo técnico sobre fotografias e não posso ir além disso", explica. Palhares e o advogado dele, Nivaldo Doro, não foram localizados hoje para falar sobre o novo laudo. O perito deverá participar de uma acareação com Munhoz, em Maceió, no início de junho.


