do Rio
RIO - Um laudo de balística encaminhado ao II Tribunal do Júri do Rio no começo da noite de anteontem, fez com que o julgamento de 17 ex-policiais acusados pela Chacina de Vigário Geral, previsto para ontem, fosse adiado até que a defesa dos policiais e o Ministério Público pudessem ter acesso ao documento. O ex-soldado Paulo Roberto Alvarenga, que, por intermédio de seu advogado, abriu mão da análise do laudo, será julgado na quinta-feira da próxima semana. Precedida de uma reunião do juiz José Geraldo Antônio com advogados e promotores, a sessão durou apenas uma hora e vinte minutos.
Os promotores José Pi¤ero Mui¤oz Filho e Maurício Assayag, do II Tribunal do Júri, terão cinco dias para analisar o laudo de balística, produzido pela Polícia Técnica e Científica da Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais. Após a análise do Ministério Público, cada advogado de defesa terá igual prazo para se manifestar sobre o laudo, e só depois o juiz José Geraldo Antônio marcará a data do julgamento dos outros 16 libelados (réus aptos para o julgamento).
Elaborado pelos peritos Roberto Fonseca de Mello, Marcos Vinícius Lindenberg Fróes e Carlos Eduardo Brasiliense Máximo, o laudo de confronto balístico incrimina Gilson Nicolau de Araújo, de 30 anos, um dos réus em liberdade provisória. De acordo com o laudo, um dos projéteis encontrados junto ao corpo exumado de uma das vítimas, em novembro, teria sido disparado por uma pistola 7.65 apreendida com Araújo. ‘‘Juro que sou inocente’’, limitou-se a dizer Araújo no corredor do Fórum.
O advogado do acusado, Themístocles Faria Lima, requereu a nulidade da prova e o adiamento do júri. Já os advogados de três dos ex-PMs presos - José Fernandes Neto, Arlindo Maginário Filho e Paulo Roberto Alvarenga -, diante do adiamento, requereram o relaxamento de prisão de seus clientes. Os pedidos deverão ser analisados hoje pelo juiz Antônio. ‘‘Eles estão presos por uma questão de ordem pública e o julgamento não foi adiado sine die’’, disse Mui¤oz Filho, que descordou do pedido dos advogados.
José Mauro Couto de Assis, que defende o acusado José Fernandes Neto, afirmou que ‘‘o julgamento só foi adiado por causa da incúria administrativa, motivo pelo qual requeri a liberdade do meu cliente’’. O exame de balística foi feito em Minas Gerais porque o Instituto de Criminalística Carlos Éboli, do Rio, admitiu falta de condições técnicas e materiais para fazê-lo. O advogado Márcio Costa, que defende Arlindo Maginário, que está preso, também culpou o poder público pelo adiamento do júri e requereu a liberdade provisória do acusado, que está preso há três anos e sete meses.

mockup