O juiz de Pedro Canário (ES), Sebastião Mattos Mozine, decidiu ontem adiar para o dia 29 o júri do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Júnior pelos homicídios do fazendeiro José Machado Neto e o policial militar Sérgio Narciso, ocorridos na cidade em junho de 1989. O julgamento estava marcado para o dia 16, terça-feira, mas Mozine vai esperar a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo terminar de julgar no dia 17, quarta-feira, o pedido de transferência do júri para Vitória.
‘‘Tomei a decisão por prudência e para dar transparência ao processo’’, disse o juiz. A promotora de Pedro Canário, Sueli Lima e Silva, concordou com o adiamento, pedido na terça-feira pela defesa, e foi quem sugeriu a nova data. ‘‘Se não fosse no dia 29, teríamos de esperar até dezembro’’, justificou.
Dos três desembargadores da 1ª Câmara Criminal, um votou a favor e outro contra a mudança de local do júri. O presidente da Câmara, desembargador Wellington Citty, dá seu voto na quarta-feira para decidir a questão. Se o desaforamento, pedido pela defesa, for negado, os advogados de Rainha ainda vão recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.
A suspensão do júri também havia sido pedida anteontem, pela defesa de Rainha, ao relator do pedido de desaforamento na 1ª Câmara, desembargador William Silva. Com a decisão de Mozine, Silva nem precisou decidir se é a favor ou não da suspensão, feita a ele por meio de pedido de liminar pelo principal defensor de Rainha, o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).
Segundo a promotora, o adiamento lhe dá tempo de conseguir por escrito o depoimento de José Jorge Guimarães, o ‘‘Zé do Côco’’, considerado a principal testemunha contra Rainha no caso.
A medida foi pedida por Sueli Lima e Silva porque, convocado para depor em plenário, Guimarães alegou ter sido ameaçado e faltou ao primeiro julgamento, em junho, quando Rainha foi condenado a 26 anos e seis meses. Esta sentença deu a ele o direito a um novo júri.

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