São Paulo, 5 (AE) - Em janeiro, o juiz Alberto Anderson Filho substituiu Luiz Beethoven Giffoni Ferreira no Anexo da Infância e Juventude de Jundiaí, no interior de São Paulo. "Pobreza não é motivo para tirar filho de ninguém, o problema é quando a criança está exposta a riscos", diz. Ele não aproveitou nenhum funcionário que auxiliava Beethoven e 11 assistentes sociais e 4 psicólogos, todos funcionários do Judiciário, elaboram os laudos que justificam suas sentenças.
Se uma mãe arrepende-se de dar o filho, Anderson explica que determina que seja feito um estudo social para avaliar se há condições de manter a criança. "Se for possível, devolvo o pátrio poder", diz o juiz, que é católico e pai de dois filhos de 18 e 14 anos.
Quando uma mulher diz que não quer ou não pode ficar com um filho, Anderson toma a declaração e marca uma audiência com psicólogo ou assistente social. Nessa oportunidade, a mãe é alertada sobre o caráter irreversível de sua decisão. Só depois de 15 dias, aproximadamente, é que serão procurados casais interessados na adoção. "Desde janeiro não tivemos nenhum caso de destituição do pátrio poder iniciado e apenas dois de adoção internacional", conta.
Fila - No Anexo da Infância e Juventude de Jundiaí há uma lista de casais candidatos a adoção. São 52 brasileiros e apenas 4 estrangeiros. Anderson afirma que os candidatos estrangeiros são menos exigentes. Aproximadamente 90% dos casais brasileiros pedem crianças recém-nascidas ou que tenham, no máximo seis meses. Apenas um prefere crianças negras.
O juiz também tem uma lista de 16 crianças que precisam de pais adotivos. Delas, 12 são negras ou pardas, a média de idade supera 13 anos e somente há uma menina recém-nascida, negra. Outra criança de sete meses, branca, aguarda ser adotada. "O perfil das crianças não satisfaz o desejo dos casais brasileiros", lamenta.
"É muito fácil envolver-se emocionalmente em processos de adoção", argumenta Anderson. "É gratificante ver as crianças adotadas agarradas aos novos pais, depois do estágio de convivência."
Mauro Vaz de Lima, o atual promotor de Justiça do Anexo da Infância e Juventude de Jundiaí, explica que no Fórum de Franco da Rocha um processo simples de adoção, com a concordância dos pais biológicos, durava aproximadamente quatro meses. "Trabalhei naquela comarca mais de cinco anos e acompanhei muitas adoções, nenhuma delas internacional", conta Lima. "Os brasileiros têm de cuidar de suas crianças."
O promotor informa que um estudo sobre o tema revelou que metade das mães que pensam em dar seu filho antes do parto arrependem-se quando aguardam o nascimento da criança e quando passam a amamentar o bebê.

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