Novo inquérito apura morte de juiz de Cuiabá
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quarta-feira, 29 de dezembro de 1999
Por Nelson Francisco (especial para a AE) 
Cuiabá, 29 (AE) - O diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro Filho, determinou hoje a abertura de um novo inquérito para apurar o assassinato do juiz de Cuiabá Leopoldino Marques do Amaral, encontrado morto no início de setembro no Paraguai - um mês depois de ter denunciado uma rede de corrupção no Tribunal de Justiça do Mato Grosso. O nome do delegado que vai presidir o inquérito será divulgado segunda-feira (03), acatando pedido da Justiça Federal e da Procuradoria-Geral da República no Estado.
Tanto o Ministério Público Federal como a Justiça Federal discordam do inquérito apresentado no último dia 10 pelo delegado paulista José Pinto de Luna, segundo o qual não haveria mandante para o crime. Embora a PF tenha encerrado o caso que durou 98 dias - 100 agentes policiais e 12 delegados tentaram elucidar o crime -, as investigações voltam à estaca zero.
O inquérito apontou apenas a escrevente Beatriz árias e o seu tio, o taxista Marcos Peralta, como os autores do crime por motivo "torpe". A própria Beatriz admite que mentiu para a PF em vários depoimentos. Seu advogado, José Marcílio Donegá, sustenta que sua cliente foi "pressionada" durante os depoimentos na sede da PF.
Cinco agentes policiais da equipe do delegado José Pinto de Luna começaram a ser ouvidos hoje em Cuiabá pelo juiz federal Jeferson Schneider e o procurador-geral da República em Mato Grosso José Pedro Taques, como testemunhas de acusação contra Beatriz árias e o seu tio. Foram eles quem prenderam a escrevente, localizaram objetos pessoais do juiz e acompanharam todo o inquérito. A imprensa não teve acesso aos depoimentos.


