Novo índice Bovespa será mais representativo
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sexta-feira, 21 de abril de 2000
Por Leandro Modé 
São Paulo, 22 (AE) - O índice Bovespa (Ibovespa), que reflete a evolução das ações mais negociadas na bolsa paulista, sofrerá uma importante modificação em 2 de maio. Os recibos de Telebrás, que correspondem a mais de 40% das negociações realizadas na Bovespa, serão retirados do índice.
O recibo é uma cesta de ações criada pela Bovespa durante a privatização das empresas de telefonia, em 1998, reunindo os papéis das 12 companhias que surgiram com a cisão da Telebrás. A própria administração da Bolsa paulista optou por isso porque uma das condições para um papel compor o índice é que seja uma ação, e o recibo representa 12 ações.
Profissionais do mercado financeiro esperam que, a partir do dia 2, o recibo perca gradativamente sua liquidez, cedendo lugar a outros papéis. Isso porque muitos participantes do mercado, sobretudo os administradores de fundos atrelados à evolução do Ibovespa, tenderão a fragmentar seus recibos. Devem trocá-los pelas ações correspondentes. Especula-se também que o dinheiro hoje aplicado em recibo de Telebrás migre preponderantemente para Petrobrás, Telemar, Tele Centro Sul, Eletrobrás e Globo Cabo.
As apostas sobre os substitutos do recibo de Telebrás variam. Os analistas jogavam todas as suas fichas nas ações da Telesp, mas o anúncio de que a espanhola Telefónica, proprietária da Telesp, pretende trocar os papéis da operadora de telefonia fixa paulista por Brazilian Depositary Receipts (BDRs) praticamente enterrou essa possibilidade.
A operação da Telefónica traz um problema adicional para o mercado acionário nacional. Aquela que naturalmente seria a blue chip substituta do recibo de Telebrás deve deixar de existir em breve. A decisão final depende do sinal verde da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o que deve ocorrer em breve. Os BDRs de Telefónica na Bovespa provavelmente teriam liquidez inferior à da Telesp, principalmente porque ainda não houve nada parecido no mercado brasileiro de ações.
"Ao comprar BDRs de Telefónica, o investidor estaria aplicando seus recursos em todo o grupo espanhol", explica o gerente de bolsa da Corretora Banespa, Carlos Kayatt. Por isso, ainda há dúvida sobre o interesse dos investidores brasileiros no papel.
O mercado espera também que haverá uma desconcentração no Ibovespa. O peso do recibo de Telebrás na composição do índice é tamanho que alterações em seus preços causadas por motivos específicos do setor de telecomunicações influenciam o índice.
"Para o mercado será bom que ocorra a diversificação, pois com um número maior de empresas no Ibovespa, as análises dos papéis serão mais apuradas", afirma o administrador de fundos de renda variável do BBA Capital Icatu Investimentos Alexandre Leal.
O diretor de Renda Variável do BankBoston, Julio Ziegelmann, concorda, mas chama a atenção para um ponto negativo nessa alteração. "O recibo de Telebrás é um papel líquido, algo que outros países emergentes, como México e Argentina, por exemplo, não têm", disse. "Ou seja, perdemos atratividade."
Prévias - Para orientar o mercado, a bolsa vem divulgando, desde janeiro, prévias sobre a composição do índice Bovespa sem os recibos de Telebrás. Na última delas, divulgada dia 14, algumas das ações que integram o recibo de Telebrás, como Telemig Participações ON e PN e TeleNorte Celular ON e PN, foram excluídas.
Os fundos de ações cuja rentabilidade está atrelada ao desempenho do Ibovespa serão atingidos pelas mudanças. Analistas estimam que eles não seguirão tão de perto o Ibovespa. O problema é que nem todos os papéis do recibo constarão do novo Ibovespa, como já demonstraram as prévias.
Assim, os administradores terão de criar estratégias para que o rendimento dos fundos fique o mais próximo possível da evolução da Bovespa. A Corretora Banespa já se desfez de 35% dos recibos de Telebrás que tinha em carteira, informa o administrador Orlando Vainaghi.
No Banco Sudameris de Investimentos, o gestor de fundos de renda variável Eduardo Cavalheiro diz que , por conta da volatilidade nos mercados mundiais nos últimos dias, vai concentrar o ajuste de sua carteira nos próximos dias. "Preferimos não deixar tudo para o dia 3 de maio."
O administrador de fundos de renda variável do BBA Capital Icatu Investimentos Alexandre Leal diz que a instituição também procura dosar as alterações na carteira. "Estamos fazendo um pouco agora e deixaremos outro tanto para depois."


