Buenos Aires, 25 (AE) - "De la Rúa disse que não o queremos mais na Argentina, e já estamos buscando outro país que o receba."
A persona non grata é o polêmico ex-general golpista paraguaio Lino César Oviedo, que desde março desfruta um aprazível asilo na Argentina.
O anúncio de que os dias do ex-militar na Argentina estão contados foi feito pelo recém-designado ministro da Justiça, Ricardo Gil Lavedra.
O ministro, que junto com presidente eleito Fernando De la Rúa tomará posse no dia 10 de dezembro, afirmou que se o Paraguai pedir a extradição antes de ser encontrado um novo país que sirva de lar a Oviedo, "permitiremos o trâmite judicial".
Lavedra, que participou como procurador no processo aos repressores da Ditadura Militar em 1985, afirmou que "acabaram as operações especiais com a Justiça", referindo-se às manobras que o governo do presidente Carlos Menem realizou para salvar Oviedo de uma extradição.
Enquanto o pedido de extradição por parte do Paraguai não ocorre, a equipe da nova chancelaria argentina começa a procurar outras opções para o ex-militar. Os destinos mais prováveis seriam a Venezuela, Panamá, Alemanha e Bolívia.
Retirar Oviedo do país é a opção mais desejada pelo novo governo, que deseja desvincular o país da imagem de "anfitrião de golpistas".
Se o Paraguai pedir a extradição, o governo De la Rúa teria que suportar Oviedo por um ou dois anos: o tempo necessário para realizar o processo judicial que poderia concluir no envio do ex-militar a seu país de origem. Nesta caso, Oviedo teria de ficar detido atrás das grades.
Fontes da coalizão Aliança UCR-Frepaso afirmaram à Agência Estado que se não for conseguido outro país, e nem o Paraguai pedir a extradição, o novo governo vai revogar o direito de asilo e deportar o ex-militar.
Conhecido no Paraguai pelo apelido de "jóquei bonsai", em alusão à sua pequena estatura, Oviedo chegou ao país fugido do Paraguai em março, acusado do assassinato do vice-presidente Luis María Argaña.
Acolhido pelo presidente Carlos Menem, seu amigo há mais de 15 anos, o ex-militar primeiro instalou-se em uma chácara na Grande Buenos Aires.
Ali, suas atividades políticas causaram a irritação no governo paraguaio, e Menem teve que enviá-lo às gélidas paragens de Terra do Fogo, no extremo sul do país. Menem recusou todos os pedidos de extradição formulados pelo Paraguai, alegando que o direito de asilo era inviolável.
Mesmo no sul, Oviedo não se aquietou, e por rádio, e em bom guarani, disse que voltaria a seu país para realizar um levante do povo camponês.
A tensão sobre uma nova tentativa de golpe militar agitou o Paraguai desde outubro, quando foram removidos o chefe do Exército, general Miguel Torres Heyn, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Héctor Galeano, substituídos por oficiais de confiança do presidente Luis González Macchi.
Na segunda e terça-feiras desta semana, o presidente González Macchi ordenou a prisão de quatorze oficiais e sub-oficiais, que estariam envolvidos em um plano de sublevação.
Os militares teriam divulgado o rumor de que Oviedo estava dentro do Paraguai e que pretendiam capturar González Macchi no aeroporto de Assunção, fazê-lo convocar eleições e renunciar.
Nestas eleições, o candidato seria o "jóquei bonsai". Nos quartéis, a tensão continua, já que corre o rumor de que 600 oficiais poderiam ser expurgados.

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