Novo governo argentino finaliza base do pacote econômico Do enviado especial, VLADIMIR GOITIA
Buenos Aires, 25 (AE) -- Confirmada a vitória de Fernando De la Rúa para a presidência da Argentina, começou agora a contagem regressiva para a transição do governo, até o dia 10 de dezembro, e para o anúncio do gabinete ministerial e do pacote de medidas econômicas que devem tranquilizar o mercado finaceiro. Embora o economista José Luis Machinea seja o mais cogitado para ocupar o cargo de ministro de Economia, o nome dele ainda não está confirmado. Entretanto, a sua equipe de economistas já tem pronto a base do pacote.
Veja a seguir os principais pontos que podem ser anunciados nos próximos dias: 1) A manutenção da conversibilidade (paridade de um por um entre o peso e o dólar) e a criação de condições necessárias para a consolidação do novo plano econômico; 2) O anúncio de medidas para reduzir o déficit fiscal, o que recuperaria a confiança interna e externa, e, consequentemente, permitiria a redução do risco-país e das taxas de juros; 3) Ajuste de US$ 3,5 bilhões nas contas públicas, dos quais US$ 1,5 bilhão viriam de cortes de gastos e os outros US$ 2 bilhões do aumento na arrecadação. O ajuste dependerá do resultado da análies e que vem sendo feita no orçamento do próximo ano. No ajuste das contas, entra a questão da dívida pública das províncias, que chega a US$ 18 bilhões, com US$ 6 bilhões de curto prazo e perto da insolvência. A Aliança quer a coparticipação de impostos entre os governos federal e das províncias; 4) Redução do déficit dos US$ 6 bilhões projetados para este ano para US$ 4,5 bilhões em 2000; 5) Mudanças em alguns impostos, como no dos lucro das empresas e no dos combustíveis; 6) Aumento da idade de aposentadoria das mulheres para 65 anos, conforme compromisso assumido pelo atual ministro Roque Fernández com o FMI.
Com o ajuste fiscal definido, o novo governo deve iniciar as negociações com o Fundo, já que a Argenrina precisa para o próximo ano US$ 11,5 bilhões para os vencimentos de sua dívida, US$ 4,5 bilhões para cobrir o déficit fiscal previsto e pelo menos mais US$ 3 bilhões de "colchão" financeiro para eventuais problemas. Ou seja, são cerca de US$ 20 bilhões de recursos necessários no primeiro ano de governo para enfrentar compromissos externos e evitar emissões contínuas de bônus. Um acordo amplo com o FMI é considerado essencial para a Argentina. Machinea, se confirmado no ministério de Economia, seria o responsável por essas negociações.
Paralelamente a essas medidas, o novo governo estuda mecanismos para melhorar a competitividade do país. Um dos caminhos é uma ampla reforma trabalhista, com regras mais flexíveis. A equipe de Machine está discutindo para isso, uma redução nos custos dos serviços, como pedágios cobrados nas rodovias, por exemplo, e a regulamentação do contrato de trabalho temporário.





