Novo fóssil afeta teoria da deriva continental
Lisboa, 29 (AE-AP) - Um esqueleto de dinossauro de 150 milhões de anos, descoberto em Portugal, pode mudar a forma como a ciência vê a geografia do planeta durante o período Jurássico.
Ossos da espécie carnívora chamada Allosaurus Fragilis foram encontrados em Portugal, e provou-se que se trata da mesma variedade descoberta nos Estados Unidos. Esse fato deve levar a uma reavaliação da teoria da deriva continental.
O Atlântico Norte surgiu durante o período Jurássico, quando a Europa e a América do Norte se afastaram. Mas as teorias são vagas quanto ao grau da separação, e a profundidade da fenda aberta. A maioria dos textos científicos tende a apresentar a lacuna preenchida já por uma massa oceânica.
"Se são da mesma espécie eles devem, por definição, ter vivido juntos, e interagido", disse Antônio Galopim de Carvalho
curador do Museu Nacional de História Natural de Lisboa. "Então, concluímos que eles viajavam entre os dois continentes, na época", completou.
A conclusão tem o apoio da Sociedade Geológica de Londres, que pretende publicar os resultados da descoberta no próximo mês. Ted Nield, da Sociedade Geográfica, disse que a descoberta portuguesa foi "um choque".
"Isso prova que dinossauros se deslocavam entre os dois continentes, na época. Os livros mostram um oceano entre Europa e América do Norte, mas deve ter existido algum tipo de ligação terrestre", disse.





