Novo exame pode evitar morte de grávidas
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segunda-feira, 15 de janeiro de 2007
Constança Tatsch<br>Folhapress 
São Paulo - Um novo tipo de exame que está sendo estudado pode ajudar no diagnóstico precoce da pré-eclâmpsia, a maior responsável por mortes maternas. A doença é grave e afeta de 5% a 10% das gestantes. A evolução pode levar à morte da mãe e do feto, risco que eleva o Brasil ao 2º lugar em mortes maternas na América Latina.
A pré-eclâmpsia não é uma simples hipertensão. O aumento da pressão é um dos principais problemas, mas não o único: Hipertensão, edema generalizado e proteinúria [perda de proteína na urina]. Essa é a tríade clássica. Mas é só a ponta do iceberg porque a mulher pode estar com todos os órgãos comprometidos, explica Nelson Sass, professor do Departamento de Obstetrícia da Unifesp e chefe do setor de hipertensão arterial e nefropatias na gravidez. No ápice, afeta o cérebro, quando a paciente sofre a eclâmpsia ou convulsão. É uma doença extremamente dramática, diz ele.
A dopplerfluxometria das artérias oftálmicas é um exame que avalia o fluxo sangüíneo no globo ocular e pode apontar se a mulher sofre de pré-eclâmpsia e qual a gravidade do quadro. No Hospital das Clínicas de Belo Horizonte é realizado desde 2000. Pesquisas na mesma direção estão sendo realizadas na Unifesp, em São Paulo.
No HC mineiro, o oftalmologista Alexandre Simões Barbosa estava pesquisando a recuperação de pacientes após cirurgia na retina. Encontrou entre mulheres com pré-eclâmpsia alterações importantes, que indicavam um aumento de fluxo sangüíneo nos olhos. Mudou o objeto da tese e desde então se dedica a descrever a descoberta, por duas vezes premiada em congressos internacionais. O exame se assemelha a um ultra-som do olho.
O impacto dessa pesquisa é que a gente tem um parâmetro para dar o diagnóstico da pré-eclâmpisa. Pode diferenciar quem tem a doença de quem tem só a hipertensão, ou se é sobreposta. Isso melhora a qualidade do tratamento. Dá para avaliar a evolução da doença, diz. É um exame complementar, mas que define condutas.
O médico Nelson Sass afirma que o novo exame também está em estudo na Unifesp, mas considera que ainda é cedo para utilizá-lo na prática clínica. Mesmo a mulher mais saudável pode desenvolver pré-eclâmpsia, que costuma ocorrer após a 20ªsemana de gravidez. Isso porque a hipótese mais aceita para designar a causa da doença é que ela seja uma resposta imunológica do corpo da mulher aos antígenos do parceiro, presentes especialmente na placenta. Simplificando bastante, é como a rejeição a um órgão transplantado.
O problema é que é uma gestação que começa sem ser de risco e vira de risco do nada. É uma doença muito rápida, em uma ou duas semanas ela piora muito, afirma Eduardo Cordioli, coordenador da maternidade do Hospital São Camilo.
Os principais fatores de risco são: ter mais de 40 anos ou ser jovem demais, primepaternidade (primeira gravidez desse parceiro), quem já teve pré-eclâmpsia, histórico familiar e até tabagismo. Alguns homens têm componentes protéicos mais difíceis de serem tolerados. Por outro lado, algumas mulheres têm uma sensibilidade imunológica exagerada.


