Gestantes podem ter mais um exame incluído na rotina de pré-natal. Trata-se do teste que detecta a presença da bactéria streptococcus. Na mãe, a bactéria pode até não causar sintomas. Mas, no bebê, a transmissão pode ocorrer durante o parto e causar infecção grave.
A infectologista pediatra Jaqueline Dário Capobiango, de Londrina, explica que esse tipo de bactéria, chamada Streptococcus agalactiae ou beta-hemolítico do grupo B, costuma colonizar o trato gastrointestinal. ''Faz parte da flora (intestinal), algumas pessoas têm, outras não''. Na mulher, pela proximidade com a vagina, a bactéria também pode estar presente no trato genito-urinário, e causar ou não infecção urinária.
Nas gestantes, o problema de haver a colonização dessa bactéria é justamente o risco de transmissão para o bebê e a possibilidade de causar infecção e doenças como pneumonia precoce, meningite e sepse (resposta inflamatória generalizada e exacerbada do próprio organismo contra uma infecção, afetando o funcionamento de vários órgãos).
A taxa de transmissão da bactéria da mãe para o recém-nascido, segundo a infectologista, é em torno de 50%, e desses que serão contaminados, de 1% a 3% vão ter infecção. Parece pouco, mas ela ressalta que o risco de uma sepse precoce é 30 vezes maior naquele bebê cuja mãe tem a bactéria, do que naquele cuja mãe não está colonizada. Além disso, a mortalidade das infecções precoces (nos bebês com até sete dias de vida) é de até 50%.
Segundo Jaqueline, nos Estados Unidos o exame para detecção dessa bactéria no pré-natal é feito rotineiramente desde 2002, por determinação do Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês). Isso porque o uso de penicilina (antibiótico) intra-parto, iniciado em 1996 para mulheres com fatores de risco como parto prematuro, febre e bolsa rota (rompida) por mais que 18 horas, mostrou redução de 81% na incidência de infecção no bebê. ''Na Argentina, o exame é obrigatório por lei em vários Estados. Mas, no Brasil, não. O que há é a recomendação das Sociedades Brasileiras de Pediatria e de Ginecologia para que se faça o exame'', ressalta.
O exame da secreção vaginal e anal, chamado swab, é feito entre a 35 e a 37 semana de gestação e pode ser colhido pelo próprio ginecologista ou em laboratórios especializados. A ginecologista e obstetra Viviane Magalhães, de Londrina, explica que se é detectada a cultura de bactéria, é preciso administrar antibiótico, específico para esse tipo de bactéria, antes do nascimento do bebê.
''A eficácia do antibiótico é grande, mais de 80%'', avalia Jaqueline, lembrando que além dos riscos de doença, há a questão social e emocional, pois com o diagnóstico da bactéria pode-se evitar a infecção precoce e permitir que mãe e bebê tenham alta juntos do hospital. ''Em São Paulo, já é rotina (fazer esse exame), e em Londrina também temos feito, porque o custo benefício é bom. Se a gestante já passou da 37 semana, o médico decide se administra ou não o antibiótico. Aí, é caso a caso'', avalia a ginecologista.

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