O vice-presidente eleito da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), professor Dalton Macambira, afirmou ontem, em Campina Grande, a 130 quilômetros de João Pessoa, que a Andes errou aos não apresentar uma proposta alternativa ao projeto de lei que concede gratificação aos professores. ‘‘A Andes dificultou o entendimento e levou ao impasse em que nos encontramos hoje’’, disse Macambira. A categoria está em greve há mais de 80 dias.
A nova diretoria da Andes toma posse hoje, durante o 36º Conselho Nacional de Associações Docentes (Conad), e pretende intensificar as negociações com o Congresso sobre o projeto de lei. O objetivo da entidade agora é evitar a aprovação do projeto do governo ou ser forçada a encerrar a greve sem nenhum ganho salarial. Para Macambira, a nova diretoria terá mais chances de fazer um acordo com o governo. O professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Renato Oliveira assume a presidência da Andes, na abertura do 36º Conad.
O prazo final, por causa da legislação eleitoral, para o governo conceder o reajuste aos professores por meio de gratificação de atividade acadêmica será 3 de julho. ‘‘Corremos o risco de perder tudo’’, disse Macambira, pois a categoria teme que o Congresso aprove a proposta integral do Ministério da Educação. De acordo com ele, o governo radicalizou durante a greve, mas cedeu ao apresentar a proposta de gratificação.
Anteontem, a votação, na Câmara, do projeto de lei de gratificação para os professores universitários foi adiada para terça-feira, por falta de acordo entre o governo e a oposição.

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