Belo Horizonte, 22 (AE) - O estilo discreto e conciliador do novo diretor-geral da Polícia Federal (PF), delegado Agílio Monteiro Filho, de 52 anos, é admirado pelos subordinados de Minas Gerais. "Se adotar em Brasília o mesmo estilo da administração em Minas, certamente ele conseguirá grandes resultados", comentou o presidente do Sindicato dos Policiais Federais de Minas Gerais, Juvercino Guerra Filho. Para o presidente da entidade, que representa cerca de 600 policiais do Estado, o superintendente da PF em Minas Gerais é um homem que "trabalha em silêncio".
Segundo ele, uma das principais virtudes do delegado é saber usar a pessoa certa no lugar certo. Quando assumiu a Superintendência, em 1993, Monteiro Filho permitiu a agentes, investigadores e peritos escolher a área em que preferiam atuar. A essa medida, que teve por objetivo aproveitar melhor o potencial de cada policial, é atribuído o aumento dos indíces de apreensão de drogas e solução dos casos.
O bom relacionamento com a categoria foi selado em 1994, durante a greve por reajuste salarial que durou 54 dias. "Tivemos um relacionamento de alto nível", lembrou o presidente do sindicato. "Ele deixa a porta do gabinete sempre aberta e, desde o faxineiro, trata todos do mesmo jeito." O sindicalista ressaltou como fundamental a independência do superintendente dos grupos que hoje dividem a corporação. O fato de ser um funcionário de carreira dentro da PF é outro motivo que inspira o respeito dos policiais mineiros. Monteiro Filho entrou para a PF como agente, em 1973. Tornou-se delegado concursado em 1982, quando foi transferido pra o Rio. Em 1983, retornou a Belo Horizonte para assumir a Delegacia de Ordem Política e Social (Dops), onde esteve até 1988.
A passagem de Monteiro Filho pelo Dops é apontada pelos colegas como uma administração marcada pelo respeito aos direitos humanos. Membros do Grupo Tortura Nunca Mais (GTNM) em Belo Horizonte afirmaram hoje que o nome dele não está na lista de 444 torturas levantada pela entidade. Apesar disso, o grupo ainda não se decidiu se apóia a nomeação do mineiro. "O simples fato de ter sido do Dops nos deixa com um pé atrás", disse uma das representantes do Tortura Nunca Mais em Minas Gerais, Helena Greco. "Vamos ter de analisar melhor."
Considerado um nome isento, Monteiro Filho foi indicado para participar da comissão que investigou, em 1998, delegados envolvidos nas fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Mas foi dispensado pelo ex-diretor geral da PF Vicente Chelotti. Na época, a direção da corporação alegou que o superintende não poderia ficar afastado por tanto tempo da base. Os trabalhos da comissão que foi reunida em Brasília duraram cerca de quatro meses e provocaram o afastamento de mais de 60 policiais.
Casado e pai de três filhos, Monteiro Filho é considerado um homem de hábitos simples. É neto e filho de investigadores de polícia. O irmão dele é delegado aposentado. Religioso, costuma dizer que um dos seus orgulhos na carreira é ter sido responsável pelo planejamento da segurança do papa João Paulo II, durante a visita a Belo Horizonte, em 1980. Monteiro Filho tem uma foto do encontro com o papa no gabinete.

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