Novo diagnóstico para o transtorno bipolar
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domingo, 19 de abril de 2009
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Você anda deprimido, muito ansioso, com dificuldade para controlar os impulsos? Cuidado. Esses e outros sintomas farão parte do diagnóstico do paciente com transtorno bipolar. Estudos em todo o mundo, aponta o psiquiatra Olavo Pinto, do Rio de Janeiro, mostram que é preciso incorporar novos padrões para ''refinar'' a identificação da doença.
''O que está havendo é que pesquisadores estão vendo a necessidade de ampliar e refinar o diagnóstico. Com os atuais critérios, ou não se faz ou demora-se anos para isso'', alerta o especialista, ligado à Universidade da Califórnia, em San Diego, nos Estados Unidos. Ele esteve na última semana em Londrina, no Hospital Universitário (HU), ministrando a palestra ''Espectro bipolar'', para profissionais e estudantes da área da saúde.
Uma das necessidades, segundo o médico, é considerar a depressão como um dos sintomas mais importantes, principalmente relacionando com o comportamento anterior à doença. ''A principal manifestação do transtorno de humor é a depressão. O tempo de manifestação dela é sempre maior que da euforia'', afirma.
Ele explica que na maioria dos casos de paciente bipolar, a variação de humor não é tão clara. ''O que é claro é a depressão. Quando é ativada a fase de euforia, os pacientes gostam, porque se sentem bem, poderosos, energizados, capazes. A tendência é negar essa fase como patologia, inclusive induzindo o psiquiatra ao erro, ao nem sequer mencionar a ativação, achando que isso é a normalidade'', alerta.
Segundo Pinto, é preciso que o médico fique mais atento para elementos atípicos da depressão no paciente, como dormir demais, comer demais, ou quando ela aparece no período pós-parto, em pessoas muito jovens, ou quando são vários episódios depressivos na sequência. ''É preciso, principalmente, se informar sobre o temperamento do paciente, ou seja, como essa pessoa era quando estava normal, se já era uma pessoa que oscilava, que alternava entre altos e baixos, ainda que não de forma doentia, pois isso é a marca do transtorno bipolar. O histórico familiar é negligenciado, mas é importantíssimo para o diagnóstico'', ressalta.
Ele questiona inclusive se a compulsividade, por compras, por jogo, por sexo, e os transtornos alimentares não seriam manifestações da bipolaridade. ''É para se pensar'', diz. Mesmo nas crianças há nuances, como a grandiosidade e uma dificuldade maior que o normal para esperar gratificação, que podem ser percebidas, mas que, segundo o médico, não estão em nenhum sistema classificatório da doença. ''As crianças têm que ser ensinadas e têm que estar cientes dos perigos'', alerta.
A falta de diagnóstico ou a identificação tardia pode custar caro. Além do risco de suicídio, bipolares são pessoas que se colocam mais em risco, seja no sexo, no jogo ou nos chamados esportes radicais. ''O custo é alto. Casamentos são desfeitos, fortunas são perdidas, crimes são cometidos, amizades de anos são rompidas, traumas familiares duradouros podem ocorrer - tudo isso pode ser gerado por um surto bipolar'', aponta.
A importância de um diagnóstico correto é fazer um tratamento bem feito. Além do uso de medicamentos - hoje a constatação é que os estabilizadores de humor funcionam melhor que os antidepressivos nos casos mistos -, o psiquiatra aponta como primordial a psicoterapia. ''A psicoeducação e a participação da família no tratamento são fundamentais, o medicamento ajuda a 'segurar a onda', mas quem vai resolver é a pessoa. A melhor coisa é que uma equipe multidisciplinar trate do paciente'', afirma.
Serviço: Interessados podem entrar em contato com o psiquiatra através do e-mail [email protected]


