Novo delegado apura morte de pedreiro
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba- O inquérito que investiga as causas da morte do pedreiro Edson Elias dos Santos, de 28 anos, passou ontem para as mãos do delegado Rogério Martins de Castro - que assumiu o comando do 12º Distrito Policial de Curitiba. Edson morreu no dia 17 de fevereiro, no Largo da Ordem. Ele estava com outros dois amigos quando teria sido abordado por policiais militares. O pedreiro levou oito tiros, seis deles disparados pelas costas. A Polícia Militar acusa Edson e os amigos de furto de veículos. Edson estaria armado e teria reagido à ordem de prisão dos policiais militares.
Entretanto, segundo testemunhas, policiais teriam atirado pelas costas após Edson ter levantado os braços num gesto de rendição.
A mãe Iraíde Aparecida Rodrigues dos Santos pede que seja feita justiça. De origem humilde e moradora do bairro São João Batista, em Rio Branco do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), ela teme que o caso tenha um destino equivocado por não ter condições financeiras de contratar um advogado para acompanhar o caso. ''A polícia matou mesmo o meu filho. Eu o criei sozinha, mas bem. Ele era querido, trabalhador, nunca tive nada para reclamar dele. Nunca se envolveu com drogas. Nunca teve problemas com a polícia. Não imaginava que um dia passaria por isso'', lamenta ela.
Iraíde promete se dedicar aos dois netos, filhos de Edson, com 8 e 9 anos. ''Ele era bom pai, bom filho, bom marido. E foi morto como um cachorro. Ninguém viu nada. Ninguém quis ouvir a versão dele'', reclama indignada. Edson chegou na sexta-feira de Santa Catarina, onde fez um bico de caminhoneiro, e resolveu sair com os amigos. ''Eles iam ouvir música ao vivo. Foram se divertir. Fico me perguntando agora: a polícia que deveria proteger age com essa crueldade?'', questiona.
A dona de casa desabafa: ''Foi meu filho, um pedaço de mim que eles levaram para o cemitério. Não tenho como tirar ele de lá. Ele era novo e tinha muito o que viver. Se ele estivesse fazendo algo errado, o ideal era levá-lo para a cadeia. Morto não fala. Não sabe se defender. Agora temos que acreditar na versão equivocada da polícia.''
A mãe de Edson relatou que um dos amigos do filho teria sido torturado para confirmar a versão oficial de furto e reação, seguida de morte. ''Os amigos dele estão com medo. Apanharam muito. Ele (Tiago) estava bastante machucado'', disse ela. A reportagem da Folha tentou falar com os dois amigos de Edson, mas não teve sucesso.
Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP) informou que os amigos da vítima confirmaram em depoimento que Edson teria atirado nos policiais militares. O caso está sendo apurado pelas polícias Civil e Militar.
Os quatro policiais militares que participaram da ocorrência foram afastados preventivamente das ruas até que o Inquérito Policial Militar (IPM) seja concluído.
A assessoria de imprensa da SESP informou que o novo delegado começou a estudar o caso. Em nota oficial, a Polícia Militar argumentou que houve um confronto no Largo da Ordem que resultou na morte do pedreiro. E que ''a Polícia Militar apura os fatos de forma imparcial e, quando é o caso, responsabiliza e pune devidamente integrantes da corporação que tenham agido à margem da legalidade''.


