Novo comando no BNDES pode mudar o rumo da reestruturação do setor
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Viviane Mottin 
São Paulo, 23 (AE) - A primeira reação de uma das fontes do setor petroquímico ouvidas pela Agência Estado, sobre a substituição de Andrea Calabi por Francisco Gros na presidência do BNDES, é de que haverá impacto direto sobre o processo da reestruturação petroquímica nacional. De acordo com essa fonte, que prefere não ter seu nome divulgado, mais do que a troca de nomes no comando muda a orientação política na condução do BNDES
do "neonacionalismo" para o "neoliberalismo". Até agora, de acordo com a orientação atual apenas o grupo Ultra e a Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) vinham mostrando interesse na compra do controle (55,6%) da Central Petroquímica do Nordeste (Copene), desde que apoiadas pelo BNDES. Enquanto isso, a Dow Química, conforme declarações de seu presidente Peter Berner, na semana passada, estava à margem das negociações para a compra da Copene, mas não fora da disputa. A expectativa do setor é de que uma mudança de orientação no BNDES possa estimular a Dow Química a entrar com sua proposta para a compra do controle da Copene. O presidente da Dow, disse também na semana passada, que a multinacional norte-americana não está disposta a pagar o valor de US$ 1,4 bilhão estimado para o controle da central petroquímica. A modelagem de venda e o preço dos ativos da Copene ainda não foram formalizados pelo consórcio vendedor do controle, formado pelos grupos Marinai, Odebrecht e Conepar - este último, sob intervenção do Banco Central.
Ao contrário dos grupos nacionais, que demandam apoio do BNDES para a aquisição do controle da Copene, a Dow Química prescinde desse suporte. No caso das empresas nacionais, o BNDES está lançando mão de artifícios como a Sociedade de Propósito Específico (SPE), para auxiliar o grupo Ultra. A mesma fórmula da SPE é reivindicada pelo grupo Ipiranga, que se interessa pela compra do controle da Copene, isoladamente ou com sócios da Copesul.


