Brasília, 27 (AE) - Enquanto, no Rio de Janeiro, oficiais da reserva oferecem um almoço de desagravo ao ex-comandante da Aeronáutica, Walter Br„uer, demitido por criticar o ministro da Defesa, Élcio álvares, o novo comandante da Força Aérea, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, prefere o silêncio. Segundo assessores do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer), o brigadeiro Baptista não irá ao almoço
nem dará declarações sobre a manifestação a favor de seu antecessor.
"O brigadeiro não vai entrar neste tipo de debate", afirmou um fonte da Aeronáutica. "Ele veio para apaziguar os ânimos, controlar a crise e não para aumentar celeumas." Segundo os assessores do Cecomsaer, a intenção do novo comandante da Aeronáutica é garantir a volta da normalidade da Força Aérea e do comando. "O brigadeiro tem declarado que nós militares não estamos aqui para emitir opiniões e sim cumprir determinações."
Na semana passada, entretanto, o comandante fez questão de demonstrar que estava dando pouca importância às manifestações de oficiais da reserva em apoio a Br„uer. "Não estou preocupado com isso", disse. "Os oficiais da reserva têm direito de se reunirem, isso é democrático e saudável, e além do mais, eles não têm muito mais outras coisas a fazer."
HIERARQUIA - De acordo com assessores, o novo comandante não acredita que esse tipo de manifestação possa influenciar militares que estão na ativa. Eles argumentam que Baptista apresentou-se à tropa mostrando "um comando firme e forte, para que não haja dúvida de que não haverá quebra de hierarquia".
Um dia antes de ser demitido, Br„uer deu fortes e irônicas declarações sobre as investigações da CPI do Narcotráfico envolvendo a assessora pessoal do ministro Élcio álvares, Solange Rezende. Nas palavras de Br„uer, as notícias sobre o envolvimento de Solange provocaram "surpresa" nos meios militares. Outro ponto de choque entre álvares e Br„uer foram as opiniões divergentes sobre o uso do avião 707, apelidado de Sucatão, para as viagens presidenciais.
No mesmo dia em que álvares anunciava à imprensa que Fernando Henrique não viajaria mais no Sucatão, Br„eur declarava que o avião poderia ser usado por mais 30 anos, sem riscos para Fernando Henrique. O presidente considerou as declarações uma quebra de hierarquia e determinou que álvares demitisse o ministro e a assessora Solange.
"Houve uma crise e a grande prejudicada com essa crise foi a própria Força Aérea", comentou um assessor da Aeronáutica. "Esses comentários, esse almoço de amanhã, só contribuem para repercutir a crise e, internamente, ninguém quer isso, porque ela só tem trazido prejuízo para a Força."
O comandante Baptista permanece trabalhando em Brasília até a próxima quinta-feira, quando embarca para o Rio de Janeiro para participar das comemorações da virada do ano ao lado do presidente Fernando Henrique e de outros ministros.

mockup