Brasília, 26 (AE) - Uma missão de técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) chega ao Brasil no próximo dia 7, anunciou hoje o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo. Nessa nova rodada de negociações, serão estabelecidos os critérios de desempenho da economia brasileira para o terceiro e quarto trimestres deste ano. A missão também avaliará o desempenho das metas fixadas para o período de janeiro a março deste ano.
"Será uma negociação bem mais fácil do que a anterior"
comentou o secretário. Primeiro, porque o quadro econômico hoje está bem mais claro do que o da última negociação, em janeiro passado, dias após a adoção do câmbio flutuante pelo Brasil. "Além disso, os resultados alcançados no primeiro trimestre foram extremamente favoráveis", comentou o secretário.
A missão do FMI discutirá com as autoridades brasileiras um novo cenário para a economia brasileira, com perspectivas mais favoráveis para inflação, crescimento econômico, câmbio e juros, e uma estimativa menor para o saldo da balança comercial. O novo cenário poderá modificar algumas das metas indicativas fixadas no início do ano.
Amadeo acredita, porém, que "não há razão" para modificar a estimativa de resultado das contas públicas deste ano. Foi acertado com o FMI, em caráter indicativo, que o resultado primário (receitas menos despesas, exceto taxas de juros) das contas do setor público consolidado (governos federal
estaduais, municipais e empresas estatais) será um superávit equivalente a 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB).
Nos primeiros três meses do ano, a meta foi cumprida com folga. O compromisso era obter um superávit de R$ 6,006 bilhões, e o resultado ficou em R$ 9,23 bilhões.
Balança - O governo já reviu suas estimativas para o superávit nas transações comerciais a ser atingido neste ano. Em janeiro, foi projetado um superávit de US$ 11 bilhões para este ano. Há duas semanas, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio reviu o provável resultado para algo entre US$ 3,4 bilhões e US$ 5,3 bilhões neste ano.
Embora o resultado esteja abaixo do inicialmente projetado, a recuperação do resultado comercial no Brasil após a desvalorização é similar ao ocorrido com México e Tailândia após desvalorizarem suas moedas, conforme mostra gráfico distribuído hoje por Amadeo, na divulgação do Boletim de Análise Macroeconômica. Dos países analisados, apenas Coréia teve um desempenho melhor.
Amadeo também mostrou que as exportações brasileiras têm crescido em quantidade, mas a queda nos preços internacionais dos produtos exportados pelo País, principalmente das commodities, impediu uma recuperação do saldo comercial.
O secretário afirmou que as exportações terão um melhor desempenho quando houver uma recuperação no crescimento econômico mundial, o que é esperado para o final deste ano ou início do ano 2000.

mockup