São Paulo, 1 (AE) - A atual conjuntura econômica criada a partir das mudanças na política cambial não deve promover uma "euforia" no setor imobiliário. Essa é a opinião do vice-presidente do Sinduscon-SP, Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de São Paulo, Eduardo Zaidan. Segundo ele, poderá até haver uma "pequena" migração de aplicações financeiras para ativos reais, como prevê o ex-diretor do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas mas não será da parte da classe média e sim de pessoa jurídica. Dentro desse cenário, prevê Zaidan, deve aumentar a procura do investidor por imóveis comerciais, de alto padrão e flats.
O vice-presidente do Sinduscon-SP aponta dois fatores de impedimento para que ocorra grandes movimentos da classe média para investimentos em ativos reais. Um deles é o achatamento da renda da população e a ameaça do desemprego. O outro, é a tendência de alta dos juros que torna o mercado financeiro "tentador". Zaidan admite, porém, que juros altos só convencem o investidor se estiverem atrelados a uma política econômica "consistente e confiável." Segundo cálculos do vice-presidente do Sinduscon-SP, cerca de 80% a 90% dos negócios realizados hoje no mercado imobiliário são voltados para o comprador final, ou seja, por aquela pessoa que compra o imóvel para uso próprio e não como forma de investimento. "O aplicador médio pode se interessar, no máximo, por um segundo imóvel menor ou uma opção de lazer para atender as próprias necessidades", estima Zaidan. Ele disse ainda que um "boom" no setor imobiliário só acontece em momentos de grande expansão da economia. "E isso não é o que se projeta para o País este ano", concluiu ele.

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