São Paulo, 21 (AE) - O sucesso do padre Marcelo Rossi no mercado fonográfico está perdendo fôlego. Embora continue entre os campeões de venda, ele dificilmente conseguirá repetir neste ano o fenômeno de 1998, quando seu primeiro CD, lançado pela Universal/Polygram, vendeu 3,3 milhões de cópias em poucos meses. O segundo CD, "Um Presente para Jesus", lançado no fim de setembro vendeu até agora 1,1 milhão de unidades. A expectativa é que no período do Natal o ritmo das vendas se acelere.
No mercado fonográfico, o que ocorreu no ano passado com o padre Marcelo é considerado um feito excepcional. Com suas músicas religiosas, ele bateu o grupo de pagode Só Pra Contrariar, que lançou um CD no início de 1997 e vendeu cerca de 3 milhões de cópias no período de quase dois anos, segundo informações da gravadora BMG Brasil. No caso do padre, as vendas do CD "Músicas para Louvar ao Senhor" chegaram à marca de 3,3 milhões em menos de meio ano. O sucesso inesperado surpreendeu até a gravadora.
Os cuidados e os investimentos para o lançamento do segundo CD foram maiores do que no primeiro. Há poucas possibilidades, porém, de se repetir o fenômeno de 1998.
Retração - De maneira geral, o mercado fonográfico enfrenta um período de retração, de acordo com informações das gravadoras. Quase todos os artistas que fazem sucesso no segmento considerado mais popular foram afetados. O CD do grupo Só Pra Contrariar, lançado há cinco meses, vendeu até agora 1,2 milhão de cópias, de acordo com BMG Brasil.
Isso não quer dizer que o sucesso do padre Marcelo tenha chegado ao fim. Ele ainda é uma das maiores estrelas do mercado fonográfico. Menos de dois meses após o lançamento de "Um Presente para Jesus", o CD já figura entre os campeões deste ano. Suas vendas estão no mesmo patamar das de artistas populares, como Leonardo, a dupla Sandy e Júnior e outros.
O CD intitulado "O Tempo", de Leonardo (que fazia dupla com o irmão Leandro, morto no ano passado), foi lançado em agosto e vendeu quase 1,5 milhão de cópias. O CD de Sandy e Júnior, "As Quatro Estações", chegou ao mercado uma semana após o do padre Marcelo e já está com 850 mil cópias vendidas.
Dinheiro - De acordo com informações da Diocese de Santo Amaro, à qual o padre Marcelo está vinculado, o dinheiro das vendas do novo CD deverá ser destinado à construção de um novo templo na zona sul da cidade. Ele servirá para abrigar o Santuário do Terço Bizantino, hoje instalado no galpão de uma antiga fábrica. É no santuário que o padre Marcelo celebra missas, reunindo até 40 mil pessoas de cada vez.
Ainda de acordo com informações da diocese, o dinheiro obtido com a venda de "Músicas para Louvar ao Senhor" foi destinado a obras sociais. Pelas normas da Igreja, o dinheiro poderia ter ido diretamente para o padre Marcelo. Como padre diocesano, ele não fez voto de pobreza e pode acumular bens em seu nome. Isso não é permitido para religiosos que pertencem a congregações, como os franciscanos, dominicanos, xaverianos e outros. Para ingressar na congregação, eles fazem voto de pobreza. Um jesuíta, por exemplo, pode ter bens para seu uso pessoal, mas eles pertencem à ordem à qual está vinculado - no caso a Companhia de Jesus.
O padre Marcelo disse que, embora pudesse ficar com o dinheiro da venda, preferiu doar tudo à Diocese de Santo Amaro, à qual está vinculado. "Essa é uma das razões pelas quais peço às pessoas para não comprar CDs piratas", disse ele. "Quem faz isso perde a oportunidade de colaborar com as obras da Igreja."
Reunião - O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reúne-se terça-feira (23) , na sede da entidade em Brasília. O padre Marcelo Rossi deverá ser, indiretamente, um dos assuntos da pauta. Há bispos que querem discutir a realização de eventos religiosos com a presença de padres cantores e de artistas populares, que estão se multiplicando pelo Brasil.
No encontro do conselho, que reúne a presidência, a Comissão Episcopal de Pastoral e os representantes das regionais da CNBB, os bispos deverão avaliar a liturgia dessas celebrações
que lembram shows musicais. Alguns irão sugerir a necessidade de ser lembrado, sempre, o comprometimento da Igreja com questões sociais e a defesa dos excluídos.
Nenhum padre, no entanto, deverá ser repreendido pela CNBB. Essa não é a função da entidade, que também não tem poder para isso. Pelas normas da Igreja, quem pode fazê-lo é o bispo ao qual o padre está vinculado. Se fosse o caso de repreender o padre Marcelo, por exemplo, isso caberia ao bispo d. Fernando Figueiredo. Ele tem estado sempre ao lado do padre e é o celebrante das principais missas que ele organiza.

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