Araçatuba, SP, 05 (AE) - A mudança no câmbio vai aumentar em 30% as exportações de carne bovina do Brasil até o fim do ano, na previsão dos industriais do setor. Com essa política, está de volta ao mercado de exportação a carne nacional, há quase uma década ausente das estatísticas mundiais, com participação inferior a 0,5% num horizonte de negócios que movimenta 55 milhões de toneladas por ano. A moeda brasileira emparelhada com o dólar encareceu a carne e fez o produto cair na competição de preços mundial. No Interior de São Paulo, grandes grupos, como Sadia-Mouran, Kaiowa e Bordon, fecharam as portas por causa da queda nas exportações.
Mesmo nessas condições meia centena de frigoríficos mantiveram clientes em vários continentes. Dezoito deles conquistaram o prestígio junto ao Mercado Comum Europeu. Alguns Estados,como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, foram reconhecidos internacionalmente como áreas livres da febre aftosa, principal doença limitante das exportações e dos melhores preços. Os focos da doença no Mato Grosso do Sul, segundo Antônio Russo, presidente da ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), não comprometeram a credibilidade do País no controle sanitário da aftosa. "Nossos padrões de extermínios são os mesmos recomendados e acompanhados pelos organismos internacionais", disse Russo. O industrial também é dono de frigorífico naquele Estado, e considera a campanha de combate à febre aftosa no Mato Grosso do Sul, uma das mais perfeitas do País. São Paulo está próximo de completar o terceiro ano sem registro da doença e a exemplo do Paraná, deve pleitear nova patente sanitária.
Russo informou que o ano de 97 foi o melhor em uma década no desempenho das vendas de carne para todo o mundo. O volume ficou próximo das 300 mil toneladas, com faturamento de US$ 550 milhões. Mas os empresários estão otimistas em relação a 99, esperando aumento de 30% nas vendas ou um faturamento acima dos US$ 700 milhões.
Em Andradina, no Noroeste Paulista, o pecuarista e empresário Mário Celso Lopes arrendou, com preferência de compra
as instalações do frigorífico Mouran, desativado há cinco anos pela Sadia. Lopes pretende industrializar a carne bovina e fazer uso da logomarca Mouran, conhecida em toda Europa nas décadas de 70 e 80, para se especializar nas exportações de enlatados e conservas. A indústria, que já iniciou a contratação de 300 operários, deve entrar em funcionamento nos próximos dias.
Segundo Russo, o setor já estava satisfeito com 20% na diferença de câmbio. Para ele, a margem em torno de 30% é perfeitamente ajustável à economia nacional. Acima desse percentual ele acredita que será trabalho dos profissionais da especulação. Russo aposta que em quatro semanas os negócios entrarão numa rotina, com tudo já reajustado dentro da economia. "O nosso setor precisa disso para crescer, o País também carecia dessa adequação para vender mais e equilibrar a balança comercial", disse Russo.
As exportações também beneficiam o produtor, já que em determinadas épocas do ano, quando no mercado interno o preço não estiver satisfatório, haverá alternativas de se conseguir bons preços vendendo para o exterior. Essa alteração poderá voltar a fazer o preço da arroba oscilar muito mais que nos períodos de supervalorização da moeda brasileira.

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