São Paulo, 02 (AE) - Nove testemunhas de acusação, entre elas o vereador Cosme Lopes (PPB) e alguns funcionários da empresa Panco, prestaram depoimento durante o dia de hoje na 8.ª Vara Criminal da Capital sobre o suposto esquema de cobrança de propinas a comandado pelo ex-vereador Vicente Viscome na Administração Regional da Penha. As declarações, dadas ao juiz Rui Porto Dias, foram acompanhadas por Viscome, Tânia de Paula e os ex-assessores Ivan Márcio Gitahy, Pedro Antônio Saul, Fernado Leper e Fernando Capitão. Todos são acusados de participar da máfia dos fiscais da regional.
De acordo com informações do Tribunal de Justiça (TJ), todas as testemunhas confirmaram ao juiz o que já haviam dito à polícia. Com os depoimentos de hoje foi encerrado o processo de instrução e produção de provas de acusação. Agora, a Justiça deve ouvir, até o fim do mês, cerca de 50 testemunhas de defesa. Pitta - Cosme Lopes, em depoimentos à polícia, afirmou ter levado ao prefeito Celso Pitta (sem partido), a acusação de cobrança de propinas, por fiscais da Administração Regional da Penha, de funcionários da empresa Panco, que teria algumas obras irregulares na região. Na ocasião, segundo Cosme, o prefeito afirmou que seriam tomadas providências em relação à denúncia. Pitta, porém, não teria pedido a denúncia por escrito. Depois que o teor do encontro foi revelado, Pitta alegou que o parlamentar havia comentado os fatos "em tom de fofoca", sem formalizar a denúncia. Início - Viscome chegou ao Fórum Ministro Mário Guimarães, no centro da capital, às 9 horas, horário do início dos depoimentos
que só terminaram às 15h50. Segundo o advogado do vereador cassado, Ademar Gomes, ele acompanhou tudo com muita calma. "Vicente Viscome está tranquilo", afirmou o advogado. "Na próxima semana vou entrar com o pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal de Justiça, em Brasília", disse. "Os funcionários da empresa Panco afirmaram que não tinham conhecimento de que Viscome estaria envolvido na cobrança de propinas", completou o advogado.
Após os depoimentos, Viscome entrou no carro da polícia e retornou ao 29.º Distrito Policial, na Vila Diva, zona leste, onde está preso. Tânia de Paula, ao lado de seus advogados, também acompanhou atentamente todas as declarações. "Está tudo bem e tenho certeza de que tudo vai dar certo", disse. Ela comentou a dificuldade de poder conversar com o ex-namorado. "Estou apenas ouvindo as testemunhas de acusação e não consegui falar com Viscome".

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