Nove tentam fraudar concurso da PM
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domingo, 15 de agosto de 2004
Agência Estado 
Rio- Nove pessoas suspeitas de tentar fraudar o concurso para a Polícia Militar do Rio de Janeiro foram presas ontem por agentes do serviço reservado da corporação durante a realização da prova. Quatro dos acusados prestavam exame no Maracanã e outros cinco, na Sociedade Universitária Augusto Motta (Suam), em Bonsucesso (Zona Norte). Eles teriam anotado o suposto gabarito em seus telefones celulares. Até o início da noite, o chefe de Relações Públicas da PM, tenente-coronel Leonardo, não retornara ligações para esclarecer se o concurso seria anulado e informar os nomes dos presos.
A Fundação Escola de Serviço Público (Fesp), responsável pela organização do concurso, negou a fraude. Há dois meses, porém, a primeira etapa do concurso já fora anulada porque policiais militares obtiveram as provas e venderam gabaritos. ''Não há fraude, mas oportunismo de algumas pessoas que querem desestabilizar o processo seletivo feito pela Fesp'', afirmou o diretor de recrutamento e seleção da instituição, João Luiz Valente. Ele disse que apenas hoje, a partir de meio-dia, o gabarito oficial será produzido e encaminhado à PM, que o divulgará.
Valente observou que o concurso foi realizado de acordo com os procedimentos de segurança estabelecidos pelo presidente da Fesp, Luiz Fernando Victor. As provas, de português e matemática, tiveram três versões, elaboradas por bancas diferentes sem contato entre si. Elas foram recebidas pela Fesp no dia 9 e, desde então, as oito pessoas que fizeram a revisão final dos exames permaneceram confinadas na sede da instituição. Elas foram liberadas apenas às 11 horas, duas horas após o início dos exames. Somente uma delas sabia qual versão seria aplicada aos candidatos. Os malotes com as provas começaram a ser distribuídos na madrugada de ontem, em vans acompanhadas pelo pessoal da Fesp e PMs, e só foram abertos diante dos candidatos.
Para a etapa de ontem, a PM montou um esquema de segurança que incluiu a infiltração de policiais disfarçados entre os candidatos. A Fesp informou que 51.268 pessoas se inscreveram no concurso, no qual foram oferecidas quatro mil vagas com salário inicial de R$ 750,00. O índice de faltosos foi de 37%. Cinco mil pessoas trabalharam na organização.


