Nove estados e DF vacinam contra meningite
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de junho de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 09 (AE) - Nove estados - São Paulo, Ceará, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina - e o Distrito Federal começam a vacinar neste mês crianças menores de um ano contra a meningite provocada pela bactéria haemophilus, uma das formas mais graves da doença. A vacina é aplicada em três doses e passa a fazer parte do cronograma de imunização de rotina do Ministério da Saúde. Neste primeiro ano, as crianças entre um 1 e 2 anos de idade também serão protegidas, mas apenas com uma dose.
A vacina Haemophilus influenzae tipo B é indicada contra todas as infecções causadas por este tipo de bactéria, inclusive pneumonia. Os estudos mostram que em crianças de até um ano são necessárias três doses para garantir a proteção. Ela é geralmente aplicada aos dois, quatro e seis primeiros meses de vida. Mas o diretor do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi) do ministério, Jarbas Barbosa, informa que todas as crianças menores de um ano devem ser levadas aos postos de imunização.
A meningite por haemophilus é muito mais grave quando afeta bebês de até 18 meses. "Nesses casos, é maior o risco de morte ou de sequelas, como a surdez ou a cegueira", explica Barbosa.
O governo gastou R$ 47,3 milhões na compra de 13 milhões de doses. Ao contrário da meningite meningocócia - que é mais explosiva e acontece em surtos - a meningite por haemophilus é endêmica, ocorrendo de forma regular a cada ano. As estatísticas mundiais revelam que ela ataca de 25 a 30 crianças em cada grupo de 100 mil menores de cinco anos. Os demais Estados receberão a vacina à medida que apresentem projetos de aplicação.
Barbosa conta que os primeiros testes feitos com a vacina, na Finlândia, já mostraram que ela é capaz de proteger até 95% das crianças vacinadas. "Quando é aplicada em três doses, como vamos fazer, a eficácia é muito boa", assegura.
O ministério adquiriu 5,5 milhões de doses por intermédio do Fundo Rotatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) e outros 7,5 milhões do Instituto Biomanguinhos, que está participando de algumas fases da produção, graças a um acordo com uma das indústrias farmacêuticas fabricantes, a SmithKline. Em 2.004, o Biomanguinhos estará produzindo toda a vacina.
A expectativa é de que 2,6 milhões de crianças menores de um ano recebam a vacina influenzae a cada ano. No Brasil, nos últimos dois anos ela era encontrada somente em clínicas particulares. A dose custa, em média, US$ 14,00, mas como o governo brasileiro comprou em quantidade pela OPAS, pagou US$ 2 50 a unidade.


