Duzentos e cinquenta policiais de nove batalhões da Polícia Militar do Paraná fizeram, na madrugada de ontem, a desocupação da Fazenda Marília, em Colorado (85 quilômetros ao norte de Maringá). A propriedade estava ocupada desde dezembro de 1998 por 55 famílias, a maioria de origem de São Miguel do Iguaçu. A desocupação foi pacífica, mas a polícia prendeu quatro trabalhadores considerados líderes do acampamento. Entre os presos está o vereador de Sarandi (7 quilômetros de Maringá) João Alberto Cardoso (PSB).
De acordo com o primeiro tenente do 4º Batalhão da Polícia Militar de Maringá, Carlos Henrique Cardozo, as famílias seriam levadas para os municípios de origem. Cinco caminhões foram fretados para fazer a mudança dos trabalhadores. A maior parte dos policiais que participaram da desocupação são do Batalhão de Maringá e de Curitiba. ‘‘Cumprimos uma ordem judicial de reintegração de posse’’, justificou Cardozo.
A Fazenda Marília pertence a Maria José de Barros, que reside em Marília, interior de São Paulo. A propriedade tem 600 alqueires. Há cerca de quatro meses, a área foi desocupada, mas no mesmo dia, os trabalhadores retornaram à fazenda ocupando principalmente a sede rural.
Os policiais, conforme os trabalhadores sem-terra, chegaram na fazenda por volta das 4 horas. ‘‘Ninguém reagiu porque os policiais chegaram de madrugada e pegaram todo mundo de surpresa. Ainda estávamos dormindo quando ouvimos o barulho das viaturas e os gritos dos policiais para a gente acordar’’, disse Luciana de Lima, 16. Ela disse que estava na fazenda desde janeiro do ano passado. Antes de participar da invasão da Fazenda Marília, Luciana afirmou que esteve em acampamentos em São Miguel do Iguaçu e em Terra Rica. ‘‘Não temos para onde ir’’, desabafou ela, ao lado do marido e do filho de um ano e seis meses. Vincentino de Lima, 65, pai de Luciana, também estava preocupado porque alegava que não tinha para onde ir. ‘‘Ouvi falar que eles vão deixar a gente aqui em Alto Alegre (distrito de Colorado), mas não temos onde ficar aqui’’, disse.
Durante a desocupação, foram presos João Batista Moreira, João Alves Dias, José Rodrigues de Oliveira e João Alberto Cardoso. Eles foram acusados de formação de quadrilha, esbulho possessório, violação de domicílio e porte de arma. Os quatro negaram que estivessem armados durante a desocupação. Cardoso é vereador em Sarandi. Ele disse que tinha acabado de chegar ao acampamento para buscar a família dele. ‘‘Mal acabei de chegar e os policiais chegaram atrás e me prenderam sem eu saber o motivo’’, defendeu-se. Conforme o tenente Cardozo, a PM tem fitas de vídeo e depoimentos de pessoas que comprovam que os quatro eram líderes do acampamento.

mockup