Menos efeitos colaterais e maior efetividade são os benefícios dos novos tratamentos para quem sofre de câncer no fígado. Apesar de não haver promessa de cura, para o paciente que não tinha outras opções de terapia, a grande notícia é a possibilidade de melhorar a qualidade de vida. Em Londrina, apesar de ainda não disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os métodos têm sido usados, com resultados positivos.
As novas ferramentas, segundo o cirurgião vascular e radiologista intervencionista Elias Arcenio Neto, de Londrina, se caracterizam por procedimentos médicos minimamente invasivos, ''menos agressivos ao paciente, e que proporcionam recuperação menos dolorosa e rápido retorno às atividades diárias''. Uma das opções é a quimioembolização. A outra é a ablação percutânea de tumores.
A quimioembolização, segundo o médico, é uma técnica que vinha sendo feita de forma experimental, mas hoje já tem padronização e equipamentos modernos que garantem sua eficácia. A idéia do procedimento é injetar medicamento quimioterápico diretamente no câncer e ao mesmo tempo interromper o fornecimento de sangue na região, buscando a necrose do tumor.
''O que esperamos é o controle da progressão do tumor, ou sua regressão parcial ou completa'', informa o médico, lembrando que dessa maneira o paciente pode aguardar o transplante de fígado com qualidade de vida, diminuir o tumor para poder fazer a cirurgia de ressecção, ''ou, quando não tem indicação de nenhum desses procedimentos, aumentar a sobrevida em duas a três vezes em comparação ao tratamento clínico''.
O procedimento é feito com a introdução de tubos (catéteres), por um pequeno corte na virilha, que, com a ajuda do raio X, são posicionados o mais próximo possível do tumor. No local correto é injetada uma solução de quimioterápicos 400% mais concentrada que a quimioterapia convencional. E, como não cai na corrente sanguínea, é isso o que permite melhor efeito do medicamento e menos efeitos colaterais como náuseas, dores e queda de cabelo.
Na sequência, é feita a embolização, o bloqueio da circulação de sangue na artéria que nutre o tumor, com pequenas partículas, de diferentes tamanhos, formatos e materiais, ''escolhidas conforme o caso''. ''As partículas mais modernas hoje têm tamanho único e o quimioterápico incorporado nelas. A vantagem é que se consegue injetar os dois de uma só vez, e o quimioterápico vai sendo liberado aos poucos, o que proporciona um efeito ainda mais local'', avalia.
A ablação percutânea de tumores é outro método não invasivo da radiologia intervencionista que tem ação térmica ou ação química para atingir o tumor. Através da pele, com auxílio do ultra-som, é introduzida uma agulha especial no centro da lesão. Pelo método químico, é injetado álcool absoluto, e por ação térmica, a agulha emite microondas ou radiofrequência no centro da lesão. O objetivo é o mesmo: destruir o câncer.

mockup