Novas tecnologias melhoram vacina de febre amarela
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terça-feira, 20 de abril de 1999
Por Liana John 
Campinas, SP, 21 (AE) - A parceria científica entre um especialista em biologia molecular e um especialista em cultura de tecidos deverá baratear o processo de fabricação da vacina contra febre amarela, quintuplicar a capacidade de produção e reduzir as possibilidades de alergia à vacina. Os parceiros na pesquisa de um novo processo de fabricação e na produção de outros tipos de vírus atenuantes são Ricardo Galler, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), e Marcos Freire, de Bio-Manguinhos
duas unidades da Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz - (http://www.fiocruz.br). Eles já requereram patentes de suas novas tecnologias no Brasil, Estados Unidos e Europa e já obtiveram a patente na áfrica do Sul, no início deste ano.
Desde a década de 30, o método usado na fabricação da vacina contra febre amarela envolve a inoculação de vírus atenuantes em embriões de galinha, ainda dentro dos ovos. "Começamos a trabalhar no melhoramento deste método na década de 80 e agora chegamos à inoculação dos mesmos vírus atenuados em culturas de fibroblastos de embrião de galinha", conta Freire. Ou seja, ao invés de utilizar os ovos embrionados inteiros, eles passaram a usar apenas células dos tecidos fibrosos dos embriões, multiplicando por 5, pelo menos, a capacidade de produção.
"Com este processo reduzimos também a quantidade de proteínas de galinha presentes na vacina, diminuindo, consequentemente, as possibilidades de reação alérgica a estas proteínas", continua Freire. As vacinas assim produzidas - ainda utilizando os vírus atenuantes tradicionais - estão em fase de testes com primatas e deverão passar aos testes clínicos
com seres humanos, até 2001. Se tudo correr bem, as novas vacinas começarão a ser produzidas em série em 2002.
O mesmo processo melhorado, de produção em cultura de tecidos, também está sendo utilizado com vírus modificado por DNA clonado, uma forma de produzir imunizante geneticamente mais homogêneo. "Esta abordagem permite o uso do vírus da febre amarela vacinal também para outros antígenos de interesse, como os da dengue ou da malária", explica Ricardo Galler. A pesquisa com os novos vírus modificados também está em fase de testes em primatas e tem, no mínimo, mais três anos antes dos testes clínicos, em seres humanos.
Participam diretamente das pesquisas cinco outros especialistas da equipe de Galler e mais dois da equipe de Freire, além da colaboração das unidades de produção de vacinas, controle de quantidade e experimentação animal da Fiocruz. Os pesquisadores contam com recursos da própria fundação e da organização Mundial da Saúde, que investe cerca de US$ 45 mil anuais no trabalho. Maiores informações com Ricardo Galler, através do endereço eletrônico [email protected] ou Marcos Freire através do telefone (021) 5642344.


