Novas técnicas reduzem problemas cardíacos
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de dezembro de 2003
Candice Dequech<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Novos medicamentos, técnicas de diagnóstico e de intervenção cirúrgica cardíaca prometem garantir mais segurança durante os procedimentos cirúrgicos e diagnosticar casos de alto risco precocemente. O 3º Simpósio Internacional de Cardiologia Invasiva para Clínicos, que começou ontem em Curitiba e termina amanhã, está debatendo o assunto. As descobertas deverão colaborar para reduzir a incidência de infarto na população, segundo o médico Costantino Ortiz Costantini, diretor de pesquisa científica da Fundação Francisco Costantini, na Capital.
Segundo o chefe do setor de cardiologia da Clínica Cardiológyca Constantini, Marcos Henrique Bubna, 300 mil pessoas morrem por ano no Brasil, decorrente de problemas cardiovasculares. Dessas, aproximadamente 50% nunca apresentaram sintomas aparentes do problema, ou seja, tiveram um infarto fulminante. No entanto, os casos de morte intra-hospitalar, decorrentes de problemas cardiovasculares, não ultrapassam 2%. ''Isso porque muitas pessoas, quando sentem alguns sintomas, como dores no pescoço, braço e peito, acabam não procurando um médico, achando que o problema possa ser de outra origem'', conta Bubna. De acordo com o cardiologista, esses sintomas podem caracterizar uma angina, sintoma que pode anteceder um infarto agudo de miocárdio.
Constantini explica que nem todas as placas de gordura acumuladas nas artérias causam a obstrução aguda da passagem sanguínea e, por consequência, o infarto. Segundo ele, alguns estudos mostram características próprias nas placas que efetivamente podem causar o infarto. Segundo Bubna, existem evidências de que as placas vulneráveis apresentam maior temperatura. O reconhecimento das placas vulneráveis no cateterismo (processo onde é feita uma punção na artéria para diagnosticar o problema) é facilitado pelo uso de ultrassom intra-coronário e também através da medição da temperatura com um catéter com termômetro incorporado. Trata-se de uma das novidades da área: a termografia. ''A identificação da placa, que pode causar o infarto, viabiliza um tratamento mais específico, evitando sua evolução e, consequentemente, o infarto.
Outras novidades, também debatidas ontem no simpósio, são a nova unidade de dor toráxica, implantada na clínica; os novos stents (dispositivo cardiovascular que mantém as artérias abertas após um angioplastia) com drogas, que prometem manter a abertura da artéria mesmo depois de intervenção cirúrgica; e novos medicamentos voltados para estas técnicas. ''Na unidade de dor toráxica será possível identificar pacientes com maior risco de vida e o grau de vulnerabilidade do paciente'', conta Bubna. Segundo ele, os novos stents, que vem com drogas acopladas, tornam a angioplastia uma prática completamente segura. ''O risco reduz-se a praticamente zero, enquanto que, quando a prática da angioplastia era feita com balões, o paciente corria um risco de vida de 5% a 10%.''
Durante o simpósio, que reune cerca de 200 médicos, estão sendo realizadas 12 angioplastias, com filmagens transmitidas ao vivo para os participantes do evento.


