‘‘Não agride o meio ambiente’’; ‘‘Produto reciclável.’’ Frases desse tipo são cada vez mais comuns nas embalagens, mas o consumidor não tem como saber se realmente está comprando um produto com preocupações ambientais. Essa constatação levou o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), em conjunto com outras entidades internacionais de defesa do consumidor, a elaborar um projeto de regulamentação de rotulagem ambiental para ser apresentado ao Mercosul.
O projeto prevê que os produtos contenham informação ambiental precisa,
comprovável cientificamente, em linguagem compreensível para o consumidor e que tenha relação direta com o produto ou o processo produtivo. A idéia é que o rótulo não possa dizer que um produto é bom para o meio ambiente sem explicar o porquê. E também não possa dizer que um produto é reciclável, mesmo que seja tecnicamente possível, se não houver um esquema para realizar essa reciclagem. ‘‘O consumidor tem que ser bem informado do impacto ambiental dos produtos que consome’’, afirma o advogado Marcelo Sodré, professor de Direito do Consumidor e membro do Conselho Consultivo do Idec.
PesquisaUma pesquisa realizada em maio pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Ibope, revelou que 68% dos entrevistados estariam dispostos a pagar mais por um produto que não poluísse o meio ambiente.
Segundo Rodrigo Pio, da Unidade de Competitividade Industrial da CNI, já há uma preocupação das empresas em diferenciar os seus produtos devido à preocupação com o meio ambiente. Para isso, estão investindo em selos e certificados, como o ISO 14000, que estabelece padrões de gestão ambiental nos processos de fabricação e leva em conta o impacto no meio ambiente. As empresas não podem mais ignorar uma preocupação crescente do consumidor com o impacto ambiental dos produtos. Esta é a opinião do diretor-executivo do Greenpeace (organização ambientalista internacional) no Brasil, Roberto Kishinami. Segundo ele, já existe uma demanda significativa por produtos ‘‘ambientalmente corretos’’, mas as opções ainda são poucas.
Para estimular o ‘‘consumo verde’’, o Greenpeace tem um programa de licenciamento, por meio do qual empresta sua marca a produtos que não agridam o meio ambiente. A bióloga Cynthia Machado, 32, também afirma que não é fácil ser um ‘‘consumidor verde’’ no Brasil. Segundo ela, os produtos ‘‘ambientalmente corretos’’ são poucos e, em geral, mais caros. Pilhas recarregáveis, papel sem cloro e produtos recicláveis fazem parte da sua lista de compras. ‘‘Eu também tento reutilizar as coisas ao máximo em casa’’, afirma. Cynthia separa o lixo reciclável do lixo comum, mas reclama que às vezes não tem para onde levar.

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