Londrina - O projeto de lei que obriga proprietários de casas noturnas de Londrina, com capacidade mínima de 200 pessoas, a instalarem equipamento de gravação fotográfica de rosto e detector de metal móvel está dividindo opiniões entre os empresários do setor. Conforme divulgado pela FOLHA, a proposta foi aprovada em redação final pelo Legislativo e seguiu na terça-feira para sanção ou veto do Executivo.
Para o proprietário da Mansão Palhano, na Zona Sul, Flávio Sambatti, as novas exigências trarão poucas mudanças para o estabelecimento que recebe de 800 a mil pessoas aos finais de semana. ''Desde que abrimos a casa, há dois anos, mantemos um banco de dados dos clientes e também utilizamos o detector portátil. Já fazemos isso de antemão, portanto, serão necessárias apenas algumas adaptações, como fotografar o cliente e seu documento pessoal'', relatou.
Na opinião de Sambatti, ambas as exigências são ''extremamente importantes''. ''O detector evita o ingresso de pessoas com objetos proibidos e a fotografia inibe a entrada de menores que tentam entrar com documento falsificado e também faz os clientes refletirem mais antes de entrar numa briga.''
Sócio do Escritório Social Club e da Kingdom 2800, ambos na Zona Sul, Douglas Silva Lopes não é favorável às novas exigências, principalmente quanto ao detector de metais. ''Há dois anos compramos um aparelho e o utilizamos por cerca de três meses, mas o transtorno foi muito grande, porque, às vezes, ele apitava sem a pessoa estar portando nada'', contou. ''Deixamos o detector de lado e passamos a fazer apenas a revista manual, que é bem eficaz, pois com ela é possível identificar até droga, o que não seria possível com o aparelho'', comparou.
De acordo com o empresário, se a lei for sancionada, ele vai retomar o uso do detector. ''Cumprirei o que será exigido, mas sei que vai dar problema porque as pessoas se incomodam com o detector porque ele chama atenção e causa constrangimento. Posso afirmar isso porque já tive uma experiência e ela foi falha.''
Com relação à fotografia, Lopes explicou que o Escritório mantém um cadastro de fotos digitais dos seus clientes. O sistema também será usado na 2800. ''Acho que isso é suficiente. Não é necessário fotografar o documento das pessoas'', opinou. Para ele, as mudanças não serão eficazes.
Para o diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel Londrina), Arnaldo Falanca, não há necessidade de se fazer uma lei com estas obrigatoriedades, uma vez que a maioria das casas noturnas da cidade já usa a identificação por computador e o detector de metais.
De acordo com ele, a violência nestes estabelecimentos em Londrina é quase zero. ''Precisamos olhar com mais responsabilidade para a segurança da porta para fora, porque lá dentro os empresários estão cientes da responsabilidade que têm com os seus clientes. Hoje em dia a segurança é primordial'', apontou.
Ele completou, ainda, que os empresários estão ''cansados de tantas leis'' e que qualquer nova legislação, mesmo que benéfica, trará insatisfação ''porque falta incentivo e há muita cobrança sobre o setor''.

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