Agricultores em Roraima não esperaram sequer as chamas do grande incêndio que atingiu quase 20% do Estado estarem totalmente apagadas e, ontem, já queimavam áreas para preparar plantações. Em um sobrevôo para detectar novos focos, uma equipe de Campinas (SP) da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) flagrou uma queimada próximo à cidade de Mucajaí e a vila de Apiaú, por onde o incêndio começou há três meses.
‘‘A pessoa que fazia a queimada disse que estava queimando o mato para caçar paca’’, relatou o pesquisador do Núcleo de Monitoramento Ambiental da Embrapa, Alexandre Coutinho. ‘‘Mas, pelo tamanho, a área que estava queimando era realmente para plantação’’.
Para detectar onde ainda há incêndio, a Embrapa e o Exército montaram em Boa Vista uma pequena estação de recepção de imagens do satélite NOAA 14, que gera imagens rápidas para a coordenação de combate ao fogo. Com as imagens, os técnicos poderão identificar áreas que estão sendo novamente queimadas, principalmente por agricultores e índios. ‘‘É uma ajuda rápida para se localizar onde ainda há focos de fogo, mas também é uma forma de vigilância para evitar novas queimadas’’, diz Coutinho.
No relatório feito pela Embrapa, baseando-se em imagens do satélite, os técnicos asseguram que o incêndio já está praticamente extinto, mas alertam para novas queimadas. Segundo eles, com alguns dias de sol bastarão para secar a terra e isso levará a novas e tradicionais queimadas pelos agricultores. Em Pacaraima, no norte do Estado, o fogo já estava controlado pela Defesa Civil da Venezuela, mas foram descobertos novos focos, oriundos de queimadas recentes feitas pelos índios macuxi e wapixana.
Se for confirmada a extinção de mais de 95% do fogo, os bombeiros de vários estados deverão deixar Roraima nas próximas 48 horas. Segundo o Centro de Comunicação Social do Exército (Cecomsex), dois dias é o prazo fixado por especialistas para evitar o ressurgimento do incêndio. ‘‘Os bombeiros e o Exército serão mantidos onde estão atualmente até que tenhamos certeza de que tudo está normalizado’’, afirma um oficial do Cecomsex.

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