Novas prisões esvaziam greve da PM no Ceará
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de julho de 1997
Agência Estado Fortaleza 
Mais oito líderes dos policiais cearenses em greve foram presos ontem, encerrando a revolta. O chefe do Comando do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), tenente-coronel Francisco Justino de Ribeiro Neto, prendeu os soldados por volta do meio-dia, quando estavam concentrados na praça General Tibúrcio, centro de Fortaleza. Eles não resistiram à prisão e foram levados ao quartel do 5º Batalhão sem opor resistência. Anteontem, dois líderes do movimento foram detidos.
A prisão foi efetuada depois de uma conversa reservada em uma sala da Secretaria de Segurança Pública, com sede na praça, da qual participaram os policiais militares e também uma comissão de policiais civis e o superintendente da Polícia Civil, Evandro Alves de Moura. Segundo o tenente-coronel, os soldados vão responder por insubordinação. Ele também não atendeu ao pedido dos grevistas que queriam a garantia de que não seriam excluídos da corporação. Prometi apenas que eles serão ouvidos, terão direito de defesa.
O soldado Antônio Agamenom Lopes de Souza, um dos presos, disse esperar cumprir uma pena de pelo menos 30 dias de detenção. Ele torce para não ser expulso da PM e diz não ter dito outra alternativa. A greve está esvaziada, perdeu a força, avaliou.
Depois da saída dos policiais militares, os policiais civis recolheram as faixas e o carro de som e abandonaram o local. À tarde, a diretoria do Sindicato dos Policiais Civis ainda aguardava, na sede do sindicato, que o superintendente da Polícia Civil lhes desse alguma alternativa, mesmo que uma esperança de negociação futura ou a garantia de não-punição.
Até as 16 horas de ontem, 1.260 reservistas de primeira categoria (que já passaram por treinamento nas Forças Armadas) haviam se inscrito para concorrer às 500 vagas abertas para a função de soldado pela Polícia Militar do Ceará. Segundo o assessor do subcomandante da PM, tenente Carlos Gurgel, as 500 vagas serão preenchidas independente da exclusão de grevistas da corporação.
Na segunda-feira, os candidatos se submeterão a um exame que inclui prova intelectual, exame médico e investigação sobre suas vidas. O salário atual de um soldado é de R$ 340,00 líquidos, de acordo com o tenente.


