São Paulo, 27 (AE) - Não há obras municipais ou estaduais que possam evitar que novas enchentes ocorram na capital paulista neste ano. Apenas no verão de 2001 algumas estarão prontas para amenizar os efeitos das chuvas. Secretários do Estado e do Município dizem não haver obras rápidas que possam diminuir a frequência com que a cidade é paralisada pelas chuvas. "A solução são obras de grande porte", disse o secretário estadual dos Recursos Hídricos, Antônio Carlos de Mendes Thame.
Até março, a Prefeitura promete concluir o piscinão da água Espraiada, que hoje funciona com pouco mais de 70% de sua capacidade. Depois disso, as próximas obras a ser concluídas são a primeira etapa do rebaixamento da calha do Rio Tietê, que o Estado promete para setembro, com mais de nove meses de atraso, a canalização do Córrego Cabuçu de Cima e duas barragens em Salesópolis no fim do ano.
Prefeitura e governo prometem o início, a construção e a conclusão de dez piscinões até o fim do ano. Seis deles na Bacia do Rio Tamanduateí, no Grande ABC, e quatro na capital. Pequenas soluções, como limpeza de galerias e bocas-de-lobo, apenas evitam que os problemas sejam mais intensos, mas não impedem que a cidade pare, segundo Thame.
O secretário municipal de Vias Públicas, André de Fazio, disse que o Município limpou "500 mil das 360 mil" bocas-de-lobo nos últimos três meses. "Várias foram limpas mais de uma vez." A Prefeitura investiu pouco mais de R$ 170 milhões em 1999 para programas contra enchente, incluídos serviços de limpeza de bocas-de-lobo. "Tínhamos apenas o piscinão do Pacaembu e hoje temos outros cinco."
O Estado encontra dificuldades econômicas para iniciar a segunda etapa da do rebaixamento da calha do Tietê. Essa fase nem sequer foi iniciada por causa de uma negociação com o governo japonês para liberação de cerca de R$ 300 milhões que restaram do contrato para a primeira etapa. Até o governador Mário Covas (PSDB) acha que a solução para o problema é complicada. "Se liberarem o dinheiro, entrego a obra em dois anos."
Técnicos dos dois governos e secretários dizem que essa fase é a que deve trazer mais resultados na capital. Como o Tietê é um rio que cruza várias cidades, as obras nele são de responsabilidade do Estado. Fazio, entretanto, defende a participação do Município e da União na solução para o problema que é "estratégico para o desenvolvimento do País". De 1991 até hoje, pelos menos 25 vezes a cidade parou completamente por causa de inundações.

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