Novas normas de bio-segurança
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2000
Por Philip Brasher, da AP 
Washington, 01 (AE-AP) - Os agricultores estão observando para ver se as novas normas que regulamentam o comércio de culturas transgênicas vão prejudicar as exportações de commodities dos Estados Unidos como também a exigência de que as variedades convencionais e biotecnológicas sejam armazenadas separadamente.
O acordo patrocinado pelos Estados Unidos, que foi fechado no domingo depois de uma semana de negociações envolvendo 130 países, vai exigir que os exportadores coloquem uma etiqueta em todos os carregamentos de cereais biotecnológicos. Os rótulos não serão exigidos nos carregamentos de produtos alimentícios, tais como óleo de cozinha ou farinha de milho.
O senador Richard Lugar, presidente do Comitê de Agricultura do Senado e um defensor ostensivo da biotecnologia, disse que a norma de rotulagem será "um problema substancial" para os agricultores americanos.
"Para dizer o mínimo, isto é um depressor para as exportações e o comércio", disse o republicano de Indiana em uma entrevista coletiva à imprensa na segunda-feira.
Uma porta-voz da Associação Nacional dos Produtores de Milho foi mais otimista. "Nada neste acordo deve dissuadir os agricultores americanos de usar a biotecnologia", disse Susan Keith, diretora-sênior de política pública do grupo. "Não vemos isso como uma segregação obrigatória. Essa será uma decisão impulsionada pelo mercado. Ao contrário do que outros andam dizendo, o céu da biotecnologia não está caindo".
Mas as preocupações de Lugar encontraram eco em uma agremiação menor, a Associação Americana dos Produtores de Milho
que vem criticando a biotecnologia. Este acordo "irá colocar um grande fardo nos agricultores e nos terminais graneleiros, resultando em altos ágios pagos às variedades convencionais", disse Gary Goldberg, presidente do grupo.
"Para todos os lados que nos viramos, estão surgindo novos obstáculos no caminho dos agricultores que querem continuar plantando produtos transgênicos", disse ele.
Um dos principais fabricantes americanos de salgadinhos está dizendo a seus fornecedores para não usar milho geneticamente modificado, o que tem enfurecido os agricultores ao mesmo tempo em que agrada a alguns ambientalistas. A Frito-Lay Inc. disse que a empresa está agindo assim em resposta às preocupações dos consumidores. A porta-voz Lynn Markley observou que a Food and Drug Administration (FDA) decidiu que os alimentos biotecnológicos são seguros para consumo, "mas somos uma empresa de produtos ao consumidor. E existe essa preocupação entre os consumidores. Sentimos que neste momento é adequado solicitar a nossos produtores para que não nos vendam milho transgênico".
A American Farm Bureau Federation, que diz que a biotecnologia pode produzir culturas maiores e mais nutritivas, acusou a Frito-Lay de estar se rendendo às pressões dos ativistas anti-biotecnologia. Já o grupo ambientalista Greenpeace e a União dos Cientistas Preocupados (Union of Concerned Scientists) aplaudiram a decisão anunciada na semana passada pela empresa.


