Teresina, 14 (AE) - Gravações de conversas telefônicas divulgadas hoje pela Polícia Federal do Piauí revelam que o coronel José Viriato Correia Lima, chefe do crime organizado no Piauí, dava propinas ao juiz Orlando Martins Pinheiro, afastado há quase dois meses. Em outra fita, José Viriato conversa com o promotor João Benigno Filho, que o chama de "meu chefe".
No primeiro diálogo entre José Viriato e o advogado José Ribamar Neiva Filho, os dois acertam a concessão de uma sentença para que seja pago um seguro. "Depois você passa lá e conversa com o doutor Orlando para acertar aquele negócio que ele me pediu", recomenda o coronel ao advogado. O advogado não entende o que vem a ser o "negócio" e José Viriato reforça: "Aquele negócio, rapaz. Ele me falou que estava em dificuldades."
Em outra gravação, o coronel fala com o promotor João Benigno Filho, que o aocnselha a não receber cheques pessoais dos prefeitos, mas sim das prefeituras. "Coronel, meu chefe, você pode contar comigo. Sou seu amigo", diz em um dos trechos do grampo, para depois informar que um dos cheques usados para pagamento a José Viriato tinha sido roubado e nem poderia ser pago pelo banco.
O coronel José Viriato Correia Lima está em Teresina desde segunda-feira. Ele veio para ser ouvido por dois juízes criminais e por um juiz militar. Na primeira audiência, ele foi acusado formalmente de ser um dos autores intelectuais da morte dos empresários Einaldo Liberal e Hélio Silva, em março deste ano. Os dois foram mortos e tiveram os corpos queimados para dificultar a identificação. O coronel poderá sentar-se no banco dos réus em junho de 2000.
Hoje, ouvido na Auditoria Militar, o coronel confirmou que adquiriu três veículos - um Vectra, um Santana e um Corsa - que eram usados pelo ex-comandante da Polícia Militar Valdílio Falcão. Falcão foi afastado do Comando depois de reveladas as suas estreitas relações com o chefe do crime organizado no Piauí.

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